O produtor rural paranaense está dividido entre o feijão e a soja. O primeiro, vive uma fase ruim, mas é um item básico na alimentação do brasileiro. A outra, por sua vez, nunca esteve tão valorizada no mercado externo. O fato é que, até o momento, apenas 55% da área prevista para o feijão foi plantada. ''Na mesma época do ano passado, o índice de cultivo já alcançava 70%'', lembra Richardson de Souza, engenheiro agronômo e técnico do Departamento Rural (Deral).
A previsão para esta safra é que a área destinada ao feijão das águas seja 7% menor que a registrada em 2002. Embora a produtividade continue a mesma, graças à tecnificação agrícola. Segundo o Deral, o Paraná deverá plantar 379 mil hectares e colher 497 mil toneladas até final de janeiro. Além da concorrência com a soja, muitos produtores enfrentaram duas geadas e um período de dois meses de seca. De acordo com Souza, a região de Francisco Beltrão (oeste do Estado) foi a mais afetada. As intempéries destruiram o cultivo em, pelo menos, 1,4 mil hectares porque algumas lavouras sofreram prejuízo parcial ou foram substituídas a tempo.
A queda drástica no consumo de feijão tem assustado até proprietários de restaurantes self-services. Segundo Marcelo Eduardo Luders, diretor da Correpar Corretora de Mercadorias, a correria do dia-a-dia e a falta de dinheiro obrigou o brasileiro a trocar uma refeição por um lanche. Ele afirma que os supermercados reduziram a compra de feijão em 30% a 40%, nos últimos 60 dias, e que a quantidade de cestas básicas requisitadas por empresas cresce cada vez mais. ''Por causa disso, o preço do carioquinha extra (ótima qualidade) está 15% abaixo da tabela praticada no mesmo período do ano passado. A saca do feijão irrigado (mais caro) com 60 quilos está sendo vendida, no máximo, a R$ 60,00''.
Se a expectativa de retomada do crescimento econômico se concretizar e o programa Fome Zero ganhar novo impulso, Luders acredita que faltará feijão no primeiro trimestre de 2004. ''É possível que o preço da saca fique acima da média histórica'', arrisca o corretor.
A opinião do técnico Deral é totalmente oposta a de Luders. Para Souza, o preço do feijão ficará estável devido às reservas do produto que o País possui. Segundo ele, o Brasil mudará o ano com o maior estoque da última década, ou seja, 484 mil toneladas do produto. Considerando que o consumo mantém-se inalterado há mais de sete anos em três milhões de toneladas/ano, a estimativa é que essa reserva dure quase dois meses.

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