A safra recorde de soja colhida este ano também está gerando lucros espetaculares ao produtor paranaense. Um estudo feito pela Secretaria da Agricultura e do Abastecimento revela que o lucro líquido, incluindo remuneração da terra ocupada, depreciação de máquinas, implementos e benfeitorias, além de todas as despesas fixas necessárias ao custeio, alcançou 30,29%. De um investimento total no custeio da lavoura no valor de R$ 1,3 bilhão, o lucro obtido foi de R$ 394,2 milhões.
Trata-se do melhor rendimento obtido, em se tratando de atividade agrícola, depois do Plano Real, avaliou Norberto Ortigara, diretor do Deral. O problema é saber que destino dar a esse dinheiro. Na sua opinião, o produtor usou parte do lucro com a soja para saldar dívidas antigas, de custeio e com fornecedores, comprou ou reformou tratores e uma parte deve estar guardada para custear a nova safra, acredita.
Utilizando como preço médio recebido pelo agricultor de R$ 15,60 a saca no período de setembro/96, quando iniciou a venda antecipada de soja (soja verde) até o mês de maio, quando 90% da safra já estava comercializada, o faturamento obtido atingiu R$ 1,69 bilhão. A safra 96/97 rendeu 6,5 milhões de toneladas para uma área plantada de 2.483.602 hectares, informou Ortigara.
Custo O item que mais pesou no bolso do produtor para custear a lavoura foi o pagamento de combustíveis e manutenção de máquinas e equipamentos, que consumiu 10,04% do desembolso feito, que corresponde a R$ 170,2 milhões. A depreciação de máquinas e implementos consumiu mais, o equivalente a 10,91% dos gastos totais, apesar de que o dinheiro não foi gasto. Mas o desgaste deve ser computado porque a máquina terá de ser reposta algum dia, explicou Ortigara.
O pagamento de salários e encargos sociais por parte do produtor também pesou na hora do investimento, que desembolsou R$ 152,8 milhões, que equivalem a 9,02% do custo total da lavoura. Os gastos com sementes, fertilizantes e agrotóxicos consumiram respectivamente 6,08%, 8,76% e 7,97%. No total, foram investidos R$ 103 milhões em sementes, R$ 148,5 milhões em fertilizantes e R$ 135 milhões em agrotóxicos.
PD já é 50% Para quem teve produtividade acima de 2.500 quilos por hectare (44 sacas), o custo unitário de R$ 11,97 a saca e desembolsou R$ 7,55. Quem optou pelo plantio direto, que abrange quase 50% da área plantada, e teve rendimento acima de 2.800 quilos por hectare, o custo total de produção caiu para R$ 9,62 a saca e o agricultor pagou diretamente R$ 6,21 a saca.
A maior parte da receita gerada pela soja está circulando nas regiões Oeste e Centro-Oeste do Estado, que faturam juntas o equivalente a R$ 760,5 milhões. O núcleo campeão de produção e faturamento com a soja foi Campo Mourão, que produziu 1 milhão de toneladas do grão e obteve uma receita de R$ 272.480.000,00. Em seguida, Toledo produziu 995.834 toneladas e faturou R$ 258.916.840,00. Para completar, o núcleo regional de Cascavel produziu 881.367 toneladas e o valor bruto da produção na região alcançou R$ 229.155.420,00. Depois da região Oeste, os municípios de Ponta Grossa, Pato Branco, Maringá, Londrina e Cornélio Procópio são os que mais se destacam na produção de soja, com faturamento superior a R$ 100 milhões cada um.
Onde aplicar Para o agricultor que guardou uma parcela de lucro com a soja, Ortigara diz que o momento é propício para antecipar os investimentos em pré-custeio. Segundo ele, o preço dos insumos como sementes, adubos e fertilizantes sempre sobem no período de plantio, sendo recomendável o produtor comprar agora para reduzir os custos de produção de sua lavoura.
Além disso, é importante que o agricultor comece a fazer o plantio com independência em relação ao sistema financeiro. Ortigara admite que isso ainda é difícil para o produtor, mas seria a única forma de aumentar seus lucros, já que parte da receita obtida é absorvida para pagar a remuneração do capital investido pelos bancos. Por isso recomenda aproveitar esse lucro com a soja para ampliar os investimentos com recursos próprios.
Para o diretor executivo da Ocepar, José Roberto Ricken, o lucro proporcionado pela soja realmente deu um alívio ao agricultor, que usou o dinheiro para pagar contas antigas e melhorar equipamentos que precisa na propriedade. Segundo ele, não sobrou ‘‘oxigênio’’ para gerar euforia no comércio do interior com a compra de terras, casas, terrenos, carros e outros bens de maior valor. Ele voltou recentemente de um giro pelas cidades paranaenses e notou que apenas o comércio que supre as necessidades básicas da população está atuante, nada além disso.
Ricken concorda que esse ano a soja deu lucro, inclusive a Ocepar está trabalhando com uma margem bruta de 25,5%, mas assinalou que é preciso pelo menos umas três safras sucessivas com lucro para o produtor voltar a investir com força na modernização de sua propriedade e no bem estar de sua família. Por enquanto, só deu para suprir o prejuízo com a frustração da safrinha de milho, despesas com armazenagem, pagar a renovação e reformas de máquinas e antecipar algumas compras do pré-custeio, afirmou.

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