Soja cria grande expectativa no Oeste
PUBLICAÇÃO
sábado, 06 de março de 1999
Paulo Pegoraro 
A entrada da safra de soja está criando expectativa de negócios nas cidades do Oeste paraense e provocando euforia entre os produtores rurais. O desempenho das lavouras foi considerado ideal, com chuvas e sol ao tempo certo para a colheita, e, para completar, a relação entre real e dólar, que favorece as exportações, coroa a temporada como uma das melhores dos últimos anos.
O presidente da Cooperativa Agropecuária Cascavel (Coopavel), Dilvo Grolli, acha que a desvalorização do real representa mesmo a salvação da agricultura brasileira, e em consequência, otimiza os negócios em todas as regiões produtoras, porque mais dinheiro estará girando. Embora as cotações da soja sejam inferiores ao ano passado, em dólar, a transformação em real representa ganho substancial.
A média histórica de preços era de US$ 10,30, e hoje fica entre US$ 8 e US$ 8,50. Na hipótese do dólar se manter na casa de R$ 1,70, o produtor receberá mais que no ano passado (R$ 14,00 a saca). No campo, a safra foi contemplada com condições climáticas adequadas, resultando em produtividade de 3,24 mil quilos por hectare na região, contra 2,33 mil quilos da média nacional
Também o milho está em alta, com preço que deve se fixar em torno de R$ 9,00 a saca, contra o máximo de R$ 7,50 obtidos no ano passado. Dilvo Grolli observa que o real mantido na faixa de R$ 1,70 por dólar seria o ideal, porque, acima disto, haveria comprometimento de outros setores da economia, e permitiria até mesmo absorver reflexos de altas nos preços de insumos agrícolas.
O empresário Elso Thomas, de Cascavel, há 25 anos atuando no ramo imobiliário, também está otimista, porque safra gorda é sempre motivo de otimismo para os negócios urbanos. Ele observa que a soja é considerada como moeda de troca para muitos negócios, principalmente para quem tem coisas a vender. Estes, dispensam correção monetária, quando há perspectivas de bons preços para a soja, porque eles cobrem defasagens.
A imobiliária dirigida por Elso Thomas anunciou durante a semana, entre outras trocas, a de uma cobertura de R$ 150 mil, por soja. Outros vendedores, de sítios, se dispõem a receber a mesma moeda. De parte dos produtores rurais, porém, o interesse não é na mesma proporção, para trocas, porque eles sabem que soja é dinheiro na mão, em tempos de mercado favorável.
O empresário comenta que o mercado imobiliário é favorável no momento para compradores, porque os que vendem não têm como corrigir preços só porque o dólar subiu, uma vez que a moeda americana não incide diretamente sobre os custos do mercado imobiliário. Por isso, inclusive, quem tentou aproveitar a onda da cotação do dólar e subiu preços, já teve que baixá-los, completa.


