Soja congestiona Porto de Paranaguá
Vânia Casado
A imensa fila de caminhões carregados com soja, à espera para desembarcar no Porto de Paranaguá, superou a capacidade de recebimento do Porto de Paranaguá. A situação irritou a direção porque contrariou as decisões adotadas em reuniões semanais com as empresas exportadoras estabelecendo programas de embarques.
Na segunda-feira, o volume de soja para desembarque ultrapassava 50.000 toneladas enquanto que a capacidade do corredor de exportação é de 6.000 toneladas por hora. Com isso o período de espera dos caminhoneiros está atingindo entre 30 a 40 horas, informou o diretor técnico do porto, Luiz Ivan de Vasconcelos. Só na segunda-feira havia 2.000 caminhões na fila.
A justificativa do porto é que as cooperativas estavam acelerando o embarque de soja em grão para aproveitar o fechamento de contratos, antes da queda do dólar. Esse comportamento ia contra um acordo entre o porto de Paranaguá e as cooperativas que fazem a programação dos embarques.
Para Vasconcelos, as cooperativas estão realmente ansiosas em exportar o máximo possível de carga, antes da queda do dólar. Ocorre que a fila de caminhões foi engrossada pela decisão dos caminhoneiros de descerem no domingo à noite ou na segunda-feira bem cedo. Isso acontece há 20 anos, o caminhoneiro passa o domingo com a família e depois congestiona o porto na segunda, justificou.
Segundo Vasconcelos, semanalmente a direção do porto faz reuniões com as cooperativas que têm terminais em Paranaguá, onde são feitas as programações semanais de embarques e as decisões são transmitidas a todas as cooperativas do interior. Ocorre que quando o volume de caminhões supera a programação, dá problema mesmo, admite. Por isso, a contribuição das cooperativas em participar da programação do porto é fundamental, salienta.
Até ontem, o porto de Paranaguá já havia embarcado 1,1 milhão de toneladas de grãos e 690.000 toneladas de farelo. Esse ano o porto já registrou o desembarque de 50.000 caminhões, que corresponde a um aumento de 29% em relação ao mesmo período do ano passado. Vasconcelos acredita que as filas devem persistir até o mês de maio. Salientou que elas revelam o aumento da produção de soja do Estado, que este ano deve atingir 7,5 milhões de toneladas.





