Soja brasileira preocupa produtores dos EUA
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quarta-feira, 21 de maio de 2003
Paulo Sotero<br> Agência Estado 
Washington O presidente da influente Comissão de Finanças do Senado dos Estados Unidos, Charles Grassley, republicano do estado agrícola de Iowa e ele mesmo um fazendeiro, pediu à administração Bush que mobilize várias agências do governo para fornecer informações que ''ajudem os produtores (americanos) a compreender a competição potencial que os produtores de soja do Brasil representam''. A Comissão que Grassley preside tem papel-chave no exame de acordos comerciais.
Em carta endereçada ao administrador do Serviço Agrícola Exterior, uma repartição do departamento de Agricultura (USDA), o senador afirmou que nos últimos cinco anos a produção de soja do Brasil aumentou 57%. ''O Brasil tem potencial para abrir mais novas terras (ao plantio de soja) do que os EUA têm atualmente em produção'', alarmou-se ele, citando estimativa do Serviço de Pesquisa Econômica do USDA.
''Iowa é o maior produtor de soja dos EUA, o Brasil é o maior competidor no mercado internacional e os produtores de soja de Iowa prestam muita atenção à produção do Brasil, uma vez que ela afeta os nossos preços''. Grassley não fez menção aos efeitos que os subsídios à produção de soja garantidos pela atual Lei Agrícola americana, a Farm Bill, nos preços internacionais na commodity.
A encomenda do estudo pelo senador foi anunciada horas depois de o presidente da Associação Americana da Soja, Bart Ruth, ter pedido ao governo americano que investigue as políticas oficiais brasileiras de fomento à produção agrícola em depoimento à subcomissão do Senado para o Hemisfério Ocidental, na última terça-feira.
Ruth afirmou que a ''a ameaça competitiva que o Brasil apresenta'' para os EUA não diz respeito apenas aos fazendeiros americanos de soja, mas também aos produtores de várias outras commodities, como milho, algodão e carne de porco e de frango.
Ele disse que os ganhos na produção da soja e de outros produtos agrícolas no Brasil, especialmente na região do Cerrado, devem-se a uma série de políticas tributárias, de investimento, crédito, transporte, pesquisa e energia desenhadas para facilitar a abertura de terras, a expansão da produção e da receita de divisas através das exportações.
''Muito mais precisa ser feito pelo governo dos EUA para investigar as várias políticas e subsídios que estão ajudando a expansão da produção de grãos e de carnes no Brasil'', afirmou o presidente da associação. ''O Congresso, a administração, os negociadores de comércio e a indústria americana da soja devem usar os resultados dessa investigação para formular políticas apropriadas, posições e objetivos de negociação''.


