Soja brasileira preocupa embaixador chinês
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segunda-feira, 17 de maio de 2004
Denise Chrispim Marin<br> Agência Estado 
Brasília - O embaixador da China no Brasil, Jian Yuande, cobrou ontem maior agressividade do empresariado e do governo brasileiros na prospecção de oportunidades de negócios com os chineses e na negociação de um acordo bilateral na área sanitária e fitossanitária. A apenas uma semana do início da visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Yuande tocou em um problema recente ao alertar os produtores sobre os cuidados com a qualidade da soja exportada para a China e lembrou que seu país também conta com outros grandes fornecedores, os Estados Unidos e a Argentina.
O recado do embaixador deu continuidade à decisão das autoridades chinesas de proibir o desembarque de um navio carregado de soja brasileira, depois da constatação da presença de sementes tratadas com fungicidas proibidos no país. Yuande elogiou a reação ''importante e rápida'' do ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, e afirmou que é possível chegar a uma ''solução negociada'' para o caso. Mas não deixou escapar sua mensagem.
''Vocês precisam ter cuidado com a qualidade da soja. Nós importamos soja transgênica do Brasil, mas também da Argentina e dos Estados Unidos. Se a qualidade não é garantida, vamos buscar os outros fornecedores'', declarou, em entrevista coletiva à imprensa na qual pretendia tratar da visita do presidente Lula a Pequim e a Xangai, entre os dias 24 e 27 de maio.
De forma direta, Yuande ainda expôs algumas das debilidades do comércio exterior brasileiro ao insistir que os exportadores de carnes bovina, suína e de aves e de café, entre outros, estão perdendo oportunidades abertas pelos costumes alimentares novos e tradicionais da China. Como declarou, todo mundo conhece o bife australiano na China, ''mas poucos sabem do bife brasileiro''. ''Com o café é a mesma coisa. A publicidade do café da Colômbia chega a todo mundo, mas não se vê nenhuma propaganda do café do Brasil'', completou, lembrando das toneladas ''insignificantes'' exportadas pelo País.
De acordo com o embaixador, a visita presidencial trará uma boa oportunidade para a cooperação e o comércio entre a China e o Brasil, principalmente pelo fato de o presidente Lula levar consigo cerca de 500 empresários e uma comitiva de seis ministros e de cinco governadores. Yuande enfatizou que a China vê no Brasil um parceiro estratégico e uma economia complementar, antes de listar os interesses de seu país no mercado brasileiro.
Em princípio, a China tenderá a voltar-se para o investimento em setores produtivos que possam abastecer o seu mercado o siderúrgico, o agropecuário, o de celulose e o de telecomunicações. Yuande mencionou que o governo chinês deverá apoiar a iniciativa de suas empresas privadas de comprar terras no Brasil para o cultivo da soja. Também informou que as discussões sobre possíveis investimentos chineses nas obras de ligação do Brasil com portos no Oceano Pacífico transcorrem informalmente. ''Se o governo brasileiro apresentar uma proposta formal, vamos discutí-la.''


