Informações sobre a quebra na safra norte-americana e previsão de geadas precoces em regiões produtoras dos Estados Unidos levaram a soja a atingir, no final de setembro, os melhores preços internacionais dos últimos cinco anos. A informação é do analista Nagib Abudi Filho, diretor da Investidor Global, em Londrina. A cotação, que chegou a US$ 7 por bushel em Chicago no início da semana, ontem era de US$ 6,80 por bushel.
No mercado interno, a commodity foi vendida por até R$ 43,00 a saca. Durante o pico da colheita, o produto custava R$ 32,00. O mercado começou a se aquecer na primeira quinzena de agosto, quando o departamento de agricultura americano (USDA) reduziu a expectativa de produção do País de 80,1 milhões de toneladas para 78,9 milhões toneladas.
No relatório do mês seguinte, o clima desfavorável baixou a estimativa para 71,9 milhões de toneladas. No início da semana, previsões de geadas nas regiões produtoras dos EUA levaram a cotação a subir mais um pouco, atingindo os US$ 7 por bushel.
O especialista analisa que a conjuntura continuará favorável para quem tem soja guardada. ''Não acredito em quedas de preço significativas'', disse. A partir da segunda quinzena de outubro, quando termina a colheita americana, mudanças nas cotações dependem de expectativas com relação à safra sul-americana. O conselho de Nagib é que os produtores aproveitem o cenário para fazer vendas antecipadas. ''Dessa forma, assumem menos riscos'', disse.
Melhor capitalizados que no ano passado, os agricultores esperaram mais tempo para vender a soja. De acordo com o engenheiro agrônomo Otmar Hubner, do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria de Agricultura e Abastecimento (Seab), 74% da safra paranaense já foram vendidas, ante 91% de vendas registradas no mesmo período de 2002.
Nagib classificou esse comportamento como uma ''especulação feliz''. Se a seca não tivesse atrapalhado a safra americana, os preços de hoje estariam abaixo de R$ 30,00 por saca.
Hubner informou que a área a ser plantada com soja, no Paraná, deve crescer 6,6%, atingindo 3,86 milhões de hectares. O espaço corresponde a 68% da área total cultivada na safra de verão. Desde a safra 2001, a área de soja no Paraná cresceu 35%, ou 1 milhão de hectares. A produção está estimada em 11,6 milhões de toneladas. Se o número for confirmado, será um novo recorde.

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