Soja ameaça florestas no coração da Amazônia
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quinta-feira, 03 de julho de 2003
Sandra Sato<br> Agência Estado 
Brasília A soja está invadindo áreas de florestas densas na Amazônia, onde o índice pluviométrico é alto e, tradicionalmente, não se explorava esta cultura. ''A soja já chegou ao coração da Amazônia'', disse o secretário de desenvolvimento sustentável do Ministério do Meio Ambiente, Gilnei Viana.''É uma mudança do padrão econômico na região'', avalia Viana, do grupo interministerial que discute medidas para conter o desmatamento na Amazônia, que cresceu 40% entre 2001 e 2002.
A soja e o plantio de outras ''culturas brancas'', como arroz, milho e feijão, são apontados como os vilões na perda de floresta. A expectativa do governo é de um aumento de 8,67% na área plantada no Brasil este ano em comparação com o ano passado. Segundo o secretário, a expansão da agricultura na Amazônia Legal é quase o dobro do que no restante do País.
Só no chamado Arco do Desflorestamento, onde se concentram os 249 municípios com maior taxa de desmatamento na Amazônia Legal, estima-se o uso de 1,1 milhão de hectares na agricultura. Deste total, informa o secretário, 700 mil hectares serão ocupados com plantio de soja. ''As áreas com florestas estão sendo convertidas diretamente em plantação de soja'', alertou.
Antes, as áreas eram exploradas primeiro por madeireiras ou por criadores de gado. ''Em 1996, as pastagens eram os vetores do desmatamento'', lembra o secretário, ressaltando que a agricultura está se sobrepondo à pecuária. Com a mudança do modelo de desenvolvimento, acrescenta Viana, a nova ameaça às florestas é o plantio de soja, ''uma cultura mais capitalizada, que depende mais do mercado externo e se autofinancia''.
Para Viana, o governo precisará adotar ''ações firmes'' de fiscalização e de incentivo a projetos de desenvolvimento sustentável para conter o avanço do desmatamento na Amazônia. Ele adianta que o governo deverá gastar, neste ano, algo em torno de R$ 90 milhões com as ações de repressão ao desmatamento. Em fiscalizações emergenciais em 14 áreas de desmatamento ilegal já identificadas serão aplicados R$ 20 milhões.
O secretário informa que, no Pará, há plantio de soja ao longo da BR-163 em direção a Santarém e também nas proximidades de Paragominas, cidades que eram pólos madeireiros. No Amazonas, a soja já se alastra entre Humaitá e Apuí, onde se instalaram assentamentos.


