Soja: acordo sanitário pode abrir mercado russo
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sábado, 16 de janeiro de 2010
Gerson Freitas Jr<br> Agência Estado 
São Paulo - O Brasil negocia um acordo sanitário com a Rússia para exportar soja ao país. As discussões estão sendo conduzidas pelo secretário de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura, Inácio Kroetz, que está na Rússia. A assessoria de imprensa do Ministério confirma a negociação, mas não disse se o assunto será discutido nesta viagem.
Segundo o diretor-geral da Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec), Sérgio Mendes, as autoridades sanitárias russas dificultam a entrada de soja em grão devido à presença de duas pragas popularmente conhecidas como carrapicho e picão, típicas do continente americano. ''Esse é um problema comum nas lavouras de soja, seja no Brasil, na Argentina ou nos Estados Unidos. Não existe solução para isso'', explica.
Mendes conta que, para contornar o problema, os russos estudam esmagar a soja nos portos, autorizando apenas o transporte de derivados pelo interior do país.
O tamanho do mercado russo de soja é relativamente pequeno. Segundo dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), o país esmagou apenas 1,5 milhão de toneladas do grão na última safra e consumiu pouco mais de 1,6 milhão de toneladas de farelo, mas a expectativa é de crescimento.
O país busca a autossuficiência em carnes e vai demandar mais matéria-prima para a produção de ração nos próximos anos. A produção doméstica de aves, por exemplo, dobrou nos últimos cinco anos e deve crescer cerca de 10% em 2010, segundo o USDA. ''É difícil fazer projeções sobre volume, mas trata-se de um mercado interessante, com grande potencial'', acredita Mendes.
Para o presidente da Anec, um eventual crescimento das importações russas de soja pode representar uma oportunidade para o Brasil reduzir sua dependência em relação à China. ''Há cerca de cinco anos, os chineses respondiam por cerca de 30% das exportações brasileiras de soja. Na safra passada, essa participação chegou perto de 60%'', observou. Segundo dados da Anec, o Brasil exportou quase 17 milhões de toneladas para a China na temporada 2008/09.


