SOJA - Norte-americanos estudam a ferrugem
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terça-feira, 15 de fevereiro de 2005
Mariana Guerin<br>Reportagem Local 
Uma comitiva formada por agricultores, agrônomos e pesquisadores norte-americanos participou ontem de um workshop sobre ferrugem asiática ministrado na Embrapa Soja, unidade da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) em Londrina. O evento foi programado para fornecer informações teóricas e práticas sobre a identificação e o controle da doença, diagnosticada pela primeira vez no sul dos Estados Unidos, em novembro do ano passado.
De acordo com Cláudia Vieira Godoy, fitopatologista da Embrapa Soja, saber identificar a ferrugem é crucial para o controle da doença. ''A ferrugem é impossível de ser erradicada e pode comprometer até 80% da lavoura de soja se não for controlada a tempo'', ressaltou.
Segundo o professor Palle Pedersen, da Universidade Estadual de Iowa, os agricultores norte-americanos não estão acostumados a usar fungicidas nas lavouras de soja, pois cerca de 80% das cultivares plantadas no País são geneticamente modificadas e mais tolerantes à doenças. A própria ferrugem, por exemplo, ainda não atingiu as lavouras de soja em Iowa, que é responsável por 20% da produção nacional do grão. ''O treinamento aqui na Embrapa será fundamental para que os produtores se preparem e aprendam a identificar a doença e conheçam as técnicas de aplicação de fungicidas'', declarou.
Palle é responsável pela difusão de tecnologias do agronegócio no Estado de Iowa e trabalha com outros 12 agrônomos, dos quais oito participaram do workshop na Embrapa Soja. A equipe ainda é composta por um economista e um fitopatologista que junto aos agrônomos irão disseminar as informações obtidas no Brasil para os agricultores norte-americanos.
O professor ainda está organizando um sistema de monitoramento que consiste na triagem das amostras de soja, antes da aplicação do fungicida. ''A pesquisa é essencial para colocarmos o sistema em prática, por isso é importante ressaltar que apesar dos políticos dizerem que somos países competidores, na verdade, pecisamos uns dos outros para que o combate às doenças evolua'', assinalou Pedersen.
O agricultor Eric Rund, de Illinois, concorda. ''Nos Estados Unidos, poucos pesquisadores entendem de ferrugem e por isso a demanda por informações é muito grande. Os produtores querem estar preparados para combater a doença se ela chegar nas propriedades'', disse.


