Softwares do Norte do PR serão avaliados nos EUA
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quinta-feira, 26 de junho de 1997
Carina Paccola 
César AugustoEm busca de expansãoMartins Delgado: Vamos romper uma barreira cultural de que é difícil exportar nosso softwareTrinta e três softwares desenvolvidos por empresas do Norte do Paraná vão ser avaliados por publishers, investidores de risco e distribuidores nos Estados Unidos durante o mês de julho. O portador desses produtos é Carlos Martins Delgado Neto, consultor de marketing do Núcleo Softex Norte do Paraná (coordenado pela Associação de Desenvolvimento Tecnológio de Londrina - Adetec). Martins vai aos Estados Unidos participar do curso de especialização em Gestão de Negócios e Marketing de Software, promovido pelo Escritório Softex de Promoção Comercial, em Fort Landerdale, na Flórida. Com duração de 400 horas/aula, o curso começa em 30 de junho e termina em 8 de agosto.
Segundo Martins, na Southeastern University - onde será o curso - ele manterá contatos com software publishers, investidores de risco e distribuidores que vão dar o parecer sobre os produtos brasileiros. Voltarei com informações a respeito do que tem condições de entrar já no mercado americano ou do que deve ser adaptado, diz Martins. Os softwares são produzidos em empresas integrantes do Núcleo Softex do Norte do Paraná.
Ele está levando fichas com informações em inglês das características dos softwares. A maioria é voltada para os setores agropecuário e educativo. No total, os produtos representam 12 atividades diferentes. Martins cita um programa que controla emissora de rádio e estúdio de gravação, que tem um preço de US$ 8 mil. Bem abaixo de um similar no mercado, que custa US$ 70 mil. Outro é para cabeleireiro. O profissional pode ter na tela o rosto do cliente para testar que corte ou penteado fica melhor. Não é novidade, mas custa quatro vezes menos em relação aos já existentes no mercado, afirma.
A grande vantagem - aponta Martins - é romper a barreira cultural hoje reinante. As empresas de software de Londrina, Maringá e de outras cidades da região não têm condições de exportar para os Estados Unidos, nem de localizar seu produto lá, avalia. Segundo ele, para ter uma avaliação do produto no mercado americano o empresário teria que desembolsar cerca de US$ 50 mil. A característica das empresas de software é o tamanho. Elas são pequenas, não contam com grandes estruturas porque trabalham mais com a mente. Mas elas precisam perder o medo e acreditar no seu potencial de vender seu produto fora. De acordo com ele, as empresas que se restringirem ao mercado local vão acabar perdendo espaço para quem vier de fora.
Martins diz que a Southeastern University tem a expectativa que o software brasileiro ocupe 1% do mercado americano até o ano 2.000. Esse 1% representa US$ 600 milhões. A região de Londrina tem boas empresas de software, que podem produzir programas para aquele mercado. Martins cita que Juiz de Fora (MG) tem a mais proeminente produção de software no País. Londrina não deixa nada a desejar em comparação com Juiz de Fora, que já tem inclusive um escritório de representação nos Estado Unidos. Esse deve ser o próximo passo do Norte do Paraná. Toda avaliação dos profissionais americanos a respeito dos softwares levados por Martins será documentada.


