O setor de software brasileiro está de olho no mercado externo e espera, nos próximos dois anos, aumentar as exportações em 20%. Essa é a expectativa da Sociedade para a Promoção da Excelência do Software Brasileiro (Softex), segundo informou o coordenador da entidade, Arthur Pereira Nunes, que esteve ontem em Londrina conhecendo a Incubadora Internacional de Empresas de Base Tecnológica da Universidade Estadual de Londrina (Intuel).
Atualmente, o setor importa US$ 1 bi e exporta US$ 100 milhões por ano. ''Visto de forma isolada, é um valor baixo. Mas há nove anos, não exportávamos nada'', compara Nunes. Segundo ele, o crescimento foi rápido, mas ainda é pouco diante do que é possível ser feito. Para incrementar as exportações, defende ele, é preciso preparar a nova geração de empreendedores que olhem para o mercado global. As incubadoras são um veículo para isso'', diz ele.
Segundo dados da Softex, a indústria de desenvolvimento de software movimenta, no País, R$ 6 bilhões por ano. Na avaliação de Nunes, o valor, bastante representativo, acaba levando as empresas nascentes a olhar o mercado interno como foco principal, o que pode dificultar as ações que visem ao mercado externo. ''É preciso atender às necessidades internas, mas o setor também pode contribuir para o equilíbrio da balança comercial.''
Exportar, no entanto, não depende apenas da boa vontade dos empreendedores. Nunes ressalta que é preciso o estabelecimento de uma política industrial agressiva de substituição de importações e promoção de exportações de produtos de tecnologia de ponta. ''O Brasil não é conhecido, no exterior, como um país produtor de produtos de ponta. É preciso promover o país lá fora'', diz ele.
O Brasil tem o que mostrar na área. Segundo Nunes, o País se destaca no desenvolvimento de software para tratamento de informação de grande volume, como os softwares para o sistema bancário, o de envio de Imposto de Renda pela Internet e ainda o usado em urnas eleitorais eletrônicas, que inclusive já foram apresentadas nos Estados Unidos. ''O governo precisa ter a iniciativa, junto com as empresas, de promover esses produtos no exterior,'' defende.
Em sua visita à Intuel, Nunes diz que ficou surpreso com a qualidade das instalações e com o trabalho desenvolvido em Londrina.

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