Softex abre representação na capital dos negócios
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segunda-feira, 23 de novembro de 1998
Agência Estado 
A Softex, Sociedade Brasileira para Promoção e Exportação de Software, inaugura hoje um escritório de representação comercial em Austin, no Texas, cidade classificada pela revista Fortune como o melhor município dos Estados Unidos para fazer negócios. Será o terceiro escritório da Softex inaugurado nos últimos dez dias: no dia 12 foram abertos os escritórios de São Francisco, na Califórnia, e de Boston, no Estado de Massachusetts.
A estratégia é nova na entidade, que até dezembro mantinha um único grande escritório em Miami, definitivamente o lugar errado para fazer negócios de tecnologia no país - a menos que se queira exportar para o Brasil e não do Brasil. Agora conseguimos aprender o ABC do mercado de software americano, disse Kival Chaves Weber ao Estado. Entre Boston e São Francisco, ele escolheu prestigiar a Califórnia e está agora em Las Vegas, no Estado de Nevada, onde ocorre esta semana a Comdex, mais importante feira de informática do mundo. O ABC a que se refere é formado por Austin, Boston e a Califórnia.
O custo fixo em Miami era altíssimo, disse, e com o mesmo dinheiro estamos pagando as três novas sedes. Mesmo com escritório em lugar errado, a Softex conseguiu nos últimos anos um crescimento expressivo das exportações de software brasileiro: o setor exportou US$ 15 milhões em 1996, US$ 25 milhões em 1997 e deve alcançar US$ 50 milhões este ano. A meta, diz Weber, é chegar a US$ 250 milhões em 2002, ou 10% do mercado brasileiro de software, estimado em US$ 2,5 bilhões.
Na verdade, fomos nós que começamos a apurar as exportações de software, que não eram computadas nas estatísticas brasileiras de exportação porque o software é considerado serviço e não mercadoria, diz Descartes Teixeira, diretor do escritório da Softex São Paulo, que esteve em São Francisco.
Descartes observa que a Softex só tem computado software exportado em pacotes, como produto isolado, e não conta a infinidade de programas e sistemas exportados dentro de outros produtos, igualmente desenvolvidos no Brasil. Um exemplo é o sistema de prospecção de petróleo em águas profundas, desenvolvido pioneiramente pela Petrobrás e largamente exportado. Outros exemplos são as centrais telefônicas da Siemens ou os robôs industriais da Asea Brown Boveri: robôs e centrais são computados pelo governo como exportação, mas o software embutido não é.
A Softex foi criada em 1993 no âmbito do Ministério da Ciência e Tecnologia e foi administrada pelo Conselho Nacional da Pesquisa Científica e Tecnológica (CNPq) até 96, quando a gerência passou para o setor. Desde então, a contribuição financeira do governo para a entidade vem diminuindo a olhos vistos e as próprias empresas associadas - 1.200 de uma estimativa total de 4 mil software-houses brasileiras - têm arcado com os custos da promoção das exportações.
Os novos escritórios, porém, têm o apoio também da recém-criada Agência para Promoção de Exportações (Apex), do governo, que, no início de suas atividades, selecionou 55 setores para apoiar. O software foi o primeiro setor escolhido, comemora Weber, lembrando que, hoje, a Softex cobra dos associados todo serviço prestado, criando assim um orçamento próprio. A participação em grandes feiras como a Comdex, onde a Softex tradicionalmente tem um estande para seus membros, custa US$ 10 mil por participante.


