Socorro do FMI é questão de tempo
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quarta-feira, 24 de julho de 2002
Agência Estado 
Brasília - O acordo de transição do governo com o Fundo Monetário Internacional (FMI) é apenas uma questão de tempo. Ontem, o presidente do Banco Central, Armínio Fraga, deixou claro que, se a turbulência verificada nos mercados financeiros persistir por mais algumas semanas, o País terá de buscar apoio lá fora para conseguir sair da posição defensiva em que se encontra atualmente e tentar retomar o caminho do crescimento econômico. Ainda não estão acertadas quais serão as condições e o prazo do novo acordo mas, segundo Fraga, ''essas são apenas questões operacionais. Basta o Brasil querer''.
A negociação não envolverá necessariamente os candidatos que lideram a disputa pela sucessão presidencial. ''Existem várias opções de como construir esse apoio: desenhadas antes ou depois da eleição, com prazo mais curto ou mais longo'', disse Fraga, destacando que o aval dos candidatos seria dispensável num acerto por prazo mais curto. Já se a negociação com o Fundo ocorrer após as eleições, ele acrescentou que seria natural que o presidente eleito participasse.
''O que vejo hoje, olhando para esse ambiente financeiro de fato tumultuado, é que realmente algo seja feito ainda este ano. Temos condições de administrar o processo por bastante tempo, mas nosso objetivo não é ficar como nós estamos, é melhorar. Mas não tenho decisão, portanto, não posso comentar'', afirmou, recusando-se a discutir o que chamou de ''condições táticas''. Ele disse, entretanto, que a idéia do governo, se for necessário buscar um reforço do FMI, é de firmar um compromisso de curto prazo.
Segundo Fraga, o apoio ao Brasil existe e já foi expresso nas declarações da vice-diretora-gerente do FMI, Anne Krueger, em visita ao Brasil esta semana. ''Isso é mais do que claro. Das conversas que tive, olho no olho, percebe-se que é apenas uma questão operacional. Basta tomarmos a iniciativa de iniciar o processo'', afirmou.
O apoio do Fundo seria, na avaliação do presidente do BC, um dos instrumentos de resposta à atual crise financeira, que compromete o crescimento econômico e pressiona a cotação do dólar com reflexos nos índices de inflação. Outra forma de reagir diante desse cenário ruim é mostrar que o Brasil está empenhado em ''não repetir os erros do passado'' e comprometido com questões como responsabilidade fiscal, controle da inflação e respeito a contratos.
Ele rebateu a idéia de que um novo acordo com o Fundo possa ser entendido como o fundo do poço. Fraga defende que a ajuda do FMI, quando se tem compromissos com estabilidade fiscal e da moeda e respeito aos contratos firmados, ''só traz benefícios, e não custos''. O pior, na avaliação dele, seria não ter esse acesso ao Fundo. ''É como ir ao médico. Ninguém vai porque quer, mesmo quando se quer fazer um check-up. É melhor prevenir do que remediar'', disse.
Fraga lembrou ainda que o impacto na economia brasileira teria sido muito maior em 1999 se o Brasil não tivesse contado com o apoio financeiro do Fundo. Um novo acordo agora, disse, teria o mesmo efeito do anterior. ''Trata-se de trazer um financiamento a mais para administrar um momento de escassez de recursos'', comentou.
Desta vez, no entanto, ele descartou a necessidade de um compromisso formal de grandes grupos financeiros privados que operam com linhas de crédito ao País para manter o fluxo de recursos. ''Tenho tido conversas com muitos bancos, mas não vejo a necessidade de repetir esse acerto para garantir linhas comerciais'', disse.


