Sócios estudam vender ações da Sercomtel
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quarta-feira, 24 de julho de 2013
Nelson Bortolin<br>Reportagem Local 
O Município de Londrina e a Copel avaliam buscar novos investidores para a Sercomtel por meio de venda de ações da empresa na Bolsa de Valores. A proposta, levantada por uma comissão com representantes dos dois sócios da telefônica, está sob análise do prefeito Alexandre Kireeff (PSD) e da presidência da Copel.
O presidente da Sercomtel, Christian Schneider, evita usar a palavra privatização. "Não é isso. A proposta não é vender a empresa, mas aceitar novos sócios, novos investidores", afirma. Segundo ele, tanto a Copel como o Município têm interesse em permanecer como acionistas porque o serviço de telecomunicações é um "instrumento de política pública".
Não há prazo para uma definição sobre esta proposta, que está sendo discutida justamente no momento em que os dois sócios renegociam o acordo de acionista vencido após 15 anos. O município detém 55% das ações ordinárias da empresa e a Copel, 45%. "Estamos discutindo o novo acordo, que diz como vai ser a governança, quantas vagas nos conselhos, nas diretorias", declara.
O assunto é delicado do ponto de vista político e jurídico. Alvo de uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (Adin) movida pelo Município, a Lei 10.709, de 2009, impede qualquer alienação de ações da Sercomtel sem autorização legislativa. Outra lei, a 8.078, de 2000, diz que a perda do controle acionário da empresa só pode se dar após plebiscito.
Segundo Schneider, a empresa vive a situação mais grave de sua história. "Estamos no limite de uma intervenção do órgão regulador, já que somos uma concessão", afirma ele, em referência à Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel).
Relatório da agência de 2010 já chamava atenção sobre a situação financeira da telefônica. Nos 10 anos anteriores, a empresa havia acumulado R$ 87 milhões em prejuízos e R$ 94 milhões de perdas em patrimônio líquido. De 2000 a 2005, os sócios haviam retirado R$ 30 milhões em dividendos de juros de capital próprio.
"O problema da Sercomtel foi má gestão. Como tirar dividendos de uma empresa que vem tendo prejuízo?", questiona o atual presidente. Além da Copel e do Município, o Banco Itaú, que detém 20% das ações preferenciais da telefônica, se beneficiou por dividendos. Dos R$ 30 milhões, R$ 2,4 milhões foram para o banco.
Segundo o presidente, a receita da empresa vem se mostrando estável nos últimos cinco meses em que ele está no cargo, mas ainda é bem inferior aos custos. São cerca de R$ 16 milhões. "Não tenho como consertar a Sercomtel se não equilibrar o fluxo de caixa", alega.
Ao mesmo tempo que os sócios discutem o futuro da telefônica, a presidência tenta "zerar" o fluxo de caixa, tendo estabelecido julho do ano que vem como prazo limite para isso. De acordo com ele, a Sercomtel optou por combinar cortes de despesas com aumento de receitas. (leia mais sobre os cortes nesta página)
Para um crescimento mais importante da receita, ele diz que a Sercomtel precisa se diferenciar das concorrentes - todas gigantes internacionais. "Vamos apostar em serviços complementares à concorrência. Temos de ser uma operadora de nicho e não de escala", alega. Um dos serviços seria a televisão pela Internet, a IPTV. Outros exemplos são serviços agregados, como os de segurança de residências por meio dos celulares. "Sabemos que o aumento de receita não vem da noite para o dia", declara.



