A principal queixa das empresas envolvidas na construção de usinas termoelétricas no País, a cotação do insumo gás natural em dólar enquanto a tarifa de eletricidade é cobrada em real, parece estar começando a ser superada. Ontem, durante a assinatura dos contratos de venda de energia futura de US$ 240 milhões/ano, que viabilizam a construção da usina termoelétrica de Carioba II, de 945 megawatts (MW), os executivos da Companhia Paulista de Força e Luz (CPFL), Shell e Intergen, afirmaram que a equação do dólar ao preço ainda é um desafio, mas que as três empresas dividiriam o risco para viabilizar o projeto.
‘‘Vamos criar mecanismos de hedge (proteção) cambial para equacionar esse risco ’’, disse o presidente da CPFL, Wilson Ferreira Jr. Para ele, o estímulo para o ingresso no empreendimento, que consumirá US$ 600 milhões para a construção da usina em Americana (SP), advém da perspectiva de crescimento econômico que possa ser verificado no Brasil em longo prazo. ‘‘O contrato de fornecimento tem duração de 20 anos e, por isso, no longo prazo, quando tivermos uma economia vigorosa, talvez o hedge cambial seja uma coisa irrelevante’’, avaliou.
Na opinião do vice-presidente de Gás Natural e Geração de Energia da Shell Cone Sul, Gilbert Landsberg, a possibilidade de o Brasil ser obrigado a adotar um programa de racionamento de energia deve acelerar a implementação de projetos de geração de termoeletricidade, provocando, também, a busca de medidas que reduzam os riscos cambiais sobre o preço do gás natural.
Para Landsberg, o Brasil precisa se debruçar sobre a regulamentação de mercado para estimular o ingresso de novos agentes no setor. ‘‘Para termos investimentos, precisamos de garantias: pontas amarradas entre oferta e consumo, investimentos grandes em infra-estrutura e, principalmente regulamentação clara. O risco de escassez de eletricidade e de adoção de racionamento deve levar o governo a adotar medidas que garantam a viabilização dos projetos, mesmo que não sejam de agrado popular’’, indicou.
A assinatura do contrato não contou com a presença de membros do Ministério de Minas e Energia ou da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).

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