Sócios dividirão risco cambial do gás natural
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terça-feira, 27 de março de 2001
Agência Estado De São Paulo 
A principal queixa das empresas envolvidas na construção de usinas termoelétricas no País, a cotação do insumo gás natural em dólar enquanto a tarifa de eletricidade é cobrada em real, parece estar começando a ser superada. Ontem, durante a assinatura dos contratos de venda de energia futura de US$ 240 milhões/ano, que viabilizam a construção da usina termoelétrica de Carioba II, de 945 megawatts (MW), os executivos da Companhia Paulista de Força e Luz (CPFL), Shell e Intergen, afirmaram que a equação do dólar ao preço ainda é um desafio, mas que as três empresas dividiriam o risco para viabilizar o projeto.
Vamos criar mecanismos de hedge (proteção) cambial para equacionar esse risco , disse o presidente da CPFL, Wilson Ferreira Jr. Para ele, o estímulo para o ingresso no empreendimento, que consumirá US$ 600 milhões para a construção da usina em Americana (SP), advém da perspectiva de crescimento econômico que possa ser verificado no Brasil em longo prazo. O contrato de fornecimento tem duração de 20 anos e, por isso, no longo prazo, quando tivermos uma economia vigorosa, talvez o hedge cambial seja uma coisa irrelevante, avaliou.
Na opinião do vice-presidente de Gás Natural e Geração de Energia da Shell Cone Sul, Gilbert Landsberg, a possibilidade de o Brasil ser obrigado a adotar um programa de racionamento de energia deve acelerar a implementação de projetos de geração de termoeletricidade, provocando, também, a busca de medidas que reduzam os riscos cambiais sobre o preço do gás natural.
Para Landsberg, o Brasil precisa se debruçar sobre a regulamentação de mercado para estimular o ingresso de novos agentes no setor. Para termos investimentos, precisamos de garantias: pontas amarradas entre oferta e consumo, investimentos grandes em infra-estrutura e, principalmente regulamentação clara. O risco de escassez de eletricidade e de adoção de racionamento deve levar o governo a adotar medidas que garantam a viabilização dos projetos, mesmo que não sejam de agrado popular, indicou.
A assinatura do contrato não contou com a presença de membros do Ministério de Minas e Energia ou da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).


