A adoção do cultivo comercial de transgênicos e a liberação do consumo humano e animal de seus derivados precisa ser melhor discutida pela sociedade brasileira. Esta é a opinião do professor da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), Ênio Candotti, ex-presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) e um dos maiores divulgadores de Ciência do País. Ele participou ontem, em Curitiba, do último dia de debates do Encontro Brasil/Grã-Bretanha - Plantas Transgênicas: Ciência e Comunicação.
Candotti afirmou que a população precisa participar de todos os níveis de discussão, e decidir até mesmo a validade de pesquisa, sobretudo em temas polêmicos como transgênicos e outras áreas da genética e da biotecnologia.
Esta realidade, segundo ele, não é exclusiva do Brasil.
O professor citou um estudo recente do governo britânico, onde uma pesquisa feita com consumidores demonstrou o grau de desconhecimento com relação aos efeitos dos transgênicos sobre a saúde humana. O levantamento apontou que muitos britânicos acreditam que o consumo de Organismos Geneticamente Modificados (OGMs) podem até mesmo levar à morte.
Para ampliar a discussão com a sociedade e pôr em prática suas sugestões, o pesquisador sugere quatro diretrizes básicas. ‘‘Para começar, é preciso que as entidades de pesquisa promovam consultas públicas com a participação da sociedade. Esta é uma das formas de envolver o consumidor’’, disse Candotti. Para tanto, ele aponta como imprescindível que organismos independentes tenham recursos financeiros para promover esse debate.
Ele defende ainda mudanças no modelo de financiamento da pesquisa científica e na forma de buscar novas fontes de recursos. Em terceiro lugar, Candotti aponta a necessidade de se definir a questão da propriedade intelectual das patentes. ‘‘É preciso que o País tenha uma política de propriedade abrangente para que o público possa ter confiança nas decisões do governo’’, justificou.
O quarto ponto defendido pelo ex-presidente da SBPC é a criação de espaços públicos para discutir Ciência. Na sua opinião, isso criaria o hábito nas pessoas de discutirem e acompanharem os sucessos e também os fracassos conquistados pelos pesquisadores.

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