Sobrevivendo no inverno
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quinta-feira, 07 de julho de 2011
Victor Lopes <br>Reportagem Local 
Comércio de trajes de banho, clínicas de estética, academias, sorveterias... Com a chegada do inverno, os empresários que atuam nesses e outros diversos comércios sazonais já começam a sentir na pele o estrago que o frio é capaz de fazer. Queda no fluxo de clientes e receita, 'congelamento' do faturamento e dificuldade para fechar as contas são inevitáveis para muitos empreendimentos nesta época do ano. Não é difícil encontrar lojas que sofrem declínios de até 70% nas vendas e têm grande dificuldade de voltar a ganhar fôlego nas estações seguintes. A reportagem da FOLHA conversou com empreendedores e especialistas para discutir quais seriam as melhores estratégias para não acabar o inverno no vermelho.
Alessandro Simões da Costa, proprietário da Toca do Açaí, é um destes comerciantes que sofrem no inverno. Como vende um produto tipicamento tropical - e que remete ao calor - mesmo fazendo um planejamento para o inverno, ele não conseguiu reverter a queda de 60% no volume das vendas. ''Montamos um cardápio de inverno, com yakissoba, capuccino e chocolate quente, mas conseguimos recuperar apenas 20% do movimento'', calcula Costa.
De um verão para o outro, o empresário até conseguiu incrementar as suas vendas, mas no frio a situação se repetia. A estratégia dele então foi sair do seu antigo ponto e reinstalar, nos próximos 20 ou 30 dias, seu estabelecimento nas margens do Lago II, ao lado de uma academia de ginástica. ''Aqui estaremos perto do nosso público, que pratica esportes o ano todo, independentemente da estação. Nosso fluxo vai ser maior, além de colocarmos um sistema delivery forte''.
Já Fátima Salustiano, dona da academia Companhia Fitness, viu o número de alunos cair de 700 para 582 no inverno. Ela diz que como trabalha com um público de estudantes, o inverno e as férias acabam atrapalhando consideravelmente. Para driblar a queda de clientes, Fátima aposta em pacotes promocionais, com redução de até R$ 20 na mensalidade. ''Tentamos fechar pacotes para que as pessoas não deixem de vir. No inverno, o pessoal quer ficar em casa, mas se já pagaram fazem um esforcinho para malhar. A melhor forma para atraí-los certamente é mexer no bolso'', completa.
Com duas lojas em Londrina que vendem principalmente biquínis, a Lua Morena e a Biquíni e Cia, Larissa Orlando Guimarães não pode ficar parada quando o inverno bate na porta dos seus estabelecimentos. Com uma queda nas vendas de até 70%, a empresária aposta numa linha fitness e comercializa até casacos e vestidos na estação mais fria do ano. ''Os poucos biquínis que sobram vendemos com descontos de 30% a 50%. Durante o verão, vamos conversando com nossas clientes que iremos trabalhar com roupas de ginástica e casacos no inverno'', comenta.
Com o fluxo menor de clientes, a empresária aproveita para se preparar para a nova coleção e para o mês de agosto, quando as vendas voltam a crescer e seguem boas até o Carnaval. A partir daí, o número de funcionários salta de 3 para 8 em uma das lojas. ''Conseguimos nos manter para chegar no verão bem estruturados. Tanto que abrimos mais uma loja, porque senti a necessidade de um estabelecimento vendendo apenas uma marca específica'', ressalta Larissa.
Mariana Brandão Donofriu, proprietária de duas clínicas de depilação, a Depyl Action, comenta que agora as mulheres aumentam o intervalo entre uma depilação e outra de 20 para 45 dias. Por isso, ela climatizou todas as salas de seus estabelecimentos no ano passado e criou pacotes promocionais, dando descontos de até 20%. ''O movimento cai em média 15%. Temos que fazer ações para que as clientes não esqueçam de ficar bonitas também no frio''.


