Guto Rocha
A administração do câmbio e a política fiscal adotada pelo governo federal na condução do Plano Real foram as principais vilãs para a agricultura neste cinco anos. A análise é do economista e membro do Conselho Regional de Economia do Paraná, Luiz Antonio Fayet. ‘‘A sobrevalorização do real foi uma deformação do Plano Real que provocou a perda de capacidade da agricultura de competir com produtos importados artificialmente mais baratos. Isso foi um crime’’, comentou.
O economista afirmou que os reflexos desta ‘‘deformidade’’ foram trágicos para o setor primário. Segundo Fayet, os primeiros a sofrer estes efeitos foram os próprios agricultores, que ‘‘foram destruídos’’. Depois, disse, houve uma forte redução de empregos no campo, provocando empobrecimento das regiões interioranas do País. ‘‘O Plano Real provocou um dos maiores êxodos rurais dos últimos tempos, e acirrou os conflitos dos sem-terra no País’’, afirmou.
Fayet observou que os benefícios que foram prometidos para a agricultura, como aumento do volume de crédito e redução do Custo Brasil, na campanha do presidente Fernando Henrique Cardoso e no início do Plano Real não foram cumpridos. ‘‘Cerca de apenas 20% de toda a agricultura brasileira contam com crédito oficial com juros subsidiados, o restante trabalha com recursos próprios’’, disse.
Segundo ele, se o governo ‘‘se esforçasse para reduzir o Custo Brasil’’ já seria um grande avanço para a agricultura. O economista observou que a adoção da Lei Kandir, que isentou as exportações dos produtos primários melhorou o desempenho das exportações agrícolas. ‘‘A Lei Kandir não tem nada a ver com o Plano Real, e apesar de beneficiar apenas os produtos de exportações, houve uma dinamização de toda a economia’’, observou.
O economista disse que a desvalorização do real frente ao dólar no início deste ano provocou uma melhoria na competitividade dos produtos brasileiros.

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