Sid SauerCaiu do céuO cooperado José Bagini saca a sua parte das sobras da Coamo, cerca de R$ 2 mil: ‘‘É um privilégio receber este dinheiro de mão beijada’’CAMPO MOURÃO - A distribuição de sobras de balanço da Cooperativa Agropecuária Mourãoense (Coamo) a associados está agitando o comércio de Campo Mourão. Dos R$ 27,1 milhões apontados no exerício de 1996, R$ 12 milhões foram entregues a cooperados, de acordo com a produção entregue à cooperativa no período. Segundo estimativas das Associação Comercial e Industrial de Campo Mourão (Acicam), pelo menos 20% desse dinheiro deve ser gasto no comércio.
‘‘Numa época dessas, ajuda muito’’, frisa o presidente em exercício da Acicam, Dilmar Daleffe. Sem esconder a animação, ele lembra que são mais de 18 mil cooperados recebendo um dinheiro extra. ‘‘Como se trata de sobras, sempre fica alguma coisa para os mais variados setores do comércio’’, ressalta. O presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Campo Mourão, Lázaro Higino, é um pouco mais contido, mas não menos esperançoso. ‘‘Temos que tentar atrair esses recursos’’, diz.
Os próprios cooperados confirmam a boa expectativa dos comerciantes. ‘‘Minha mulher quer que eu compre um forno microondas com o dinheiro’’, diz o agricultor Antônio Guerreiro, 50. Ele tem 230 alqueires em Farol (26 quilômetros a oeste de Campo Mourão), é sócio da Coamo há 23 anos e pegou pouco mais de R$ 7 mil em sobras - dá para comprar pelo menos 20 fornos. ‘‘O dinheiro chegou na hora certa’’, frisa. Com ele, Guerreiro vai pagar dívidas e comprar insumos. ‘‘Também vou comprar um sapato novo’’, brinca.
Tradição‘‘É um privilégio receber esse dinheiro de mão beijada’’, afirma o cooperado José Bagini, 47 anos. Ele tem um sítio de 40 alqueires em Campo Mourão e recebeu R$ 2 mil de sobras. ‘‘Sempre sobra um pouquinho para gastar no comércio’’, diz. Orlando Romanholi, 56 anos, de Janiópolis (41 quilômetros a oeste de Campo Mourão), é mais discreto. Os 200 alqueires de terra lhe renderam R$ 11,5 mil de sobras, mas nenhuma promessa de consumo. ‘‘Às vezes sobra alguma coisa para o comércio’’.
A distribuição das chamadas sobras - ou lucros - já se tornou tradição na Coamo. Elas são entregues anualmente em duas parcelas. A primeira, como adiantamento, é sempre dada em dezembro, numa espécie de ‘‘presente de Natal’’ (este ano foram R$ 3,5 milhões). O restante vem depois da aprovação do balanço do ano anterior. Dos cheques que começaram a ser distribuídos ontem, o maior passava de R$ 60 mil. O menor era de R$ 10,00.

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