Sobram lojas nos shoppings de Curitiba
PUBLICAÇÃO
domingo, 26 de janeiro de 1997
Carmem Murara<br> Sucursal de Curitiba 
Os shoppings centers de Curitiba começam a se deparar com uma nova realidade de mercado: ao invés da disputa ferrenha por uma loja, os comerciantes estão mais cautelosos em assumir um investimento que pode não trazer o retorno esperado. Some-se a isso o aumento do número de novos shopping centers e a consequência é o crescimento na oferta de espaços comerciais.
Por medida de economia, muitos lojistas estão trocando os shoppings por locais mais baratos no centro da cidade. Um dos centros comerciais que enfrenta o problema é o Outlet Center, onde cresce o número de lojas fechadas nos últimos meses.
As administrações dos shoppings não aceitam falar em crise e garantem que a demanda é maior que a oferta de lojas. O Crystal mostra que 100% do espaço para as lojas está alugado desde a inauguração, em novembro do ano passado. Mesmo assim, há três pontos comerciais que ainda não foram instalados. O shopping tem 156 lojas. Entre as portas ainda fechadas, estão uma academia de ginástica e uma filial da Net, operadora de TV a cabo. A academia deverá começar a funcionar após o Carnaval.
A dificuldade de alguns shoppings em encontrar lojistas pode ser sentida com mais intensidade nos pequenos centros comerciais da cidade. Somente no Shopping Hauer há nove salas fechadas. Assim como no Outlet Center, as placas vende-se ou aluga-se chamam a atenção dos clientes. Uma antiga loja de confecções no Shopping Novo Batel está há seis meses com um anúncio de venda.
O Shopping Curitiba, que começou a funcionar em setembro do ano passado, ainda não conseguiu preencher todos os espaços. O administrador geral do shopping, Augusto da Fonseca, explica que a demora deve-se a uma estratégia da administração. Temos prioridades em alguns tipos de lojas. Não adianta recebermos mais joalherias, farmácias ou foto-revelação, diz Fonseca.
Das 160 lojas, que estão distribuídas em 28,8 mil metros quadrados, nove ainda estão fechadas e não há previsão para a sua ocupação completa. A infra-estrutura do shopping é um atrativo, mas também representa custos com serviços de segurança, limpeza e estacionamento.
Administradores
não admitem a crise
e dizem que demanda
é maior que a oferta
Os administradores dos shoppings curitibanos dizem que o custo de locação de um ponto dentro do centro comercial é igual e às vezes até mais barato que a locação de uma loja no centro da cidade. A viabilidade do negócio depende da estrutura de cada lojista. O shopping pode ser mais caro, mas tudo é uma questão de saber se o retorno compensa, afirma o diretor de marketing do Shopping Mueller, Marcos Villanova de Castro.
Os lojistas do Mueller pagam além do aluguel e do condomínio uma taxa para a propaganda do shopping. Por mês, o Departamento de Marketing recebe R$ 190 mil, o que dá pouco mais de R$ 2 milhões por ano para investir em publicidade.
O aluguel de uma loja dentro de um shopping varia conforme o tamanho, local e volume de vendas. Uma sala pequena, de 30 metros quadrados, pode ser alugada por R$ 2,1 mil por mês no Shopping Curitiba. Há ainda um condomínio que varia de R$ 22 a R$ 28 o metro quadrado. O fundo de publicidade representa 20% do valor do aluguel.
O presidente da Expertise Shopping Malls, empresa que administra o Crystal, Marco Aurélio Jardim, diz que o aluguel de uma loja pode variar de R$ 70 a R$ 80 o metro quadrado. É mais barato que muitos pontos da Rua XV, afirma Jardim.


