O dólar caiu 2,43% ontem. A moeda norte-americana foi cotada a R$ 2,332 a menor cotação desde o final de junho deste ano. A queda na procura pela moeda norte-americana e o aumento da oferta fez a cotação desabar. Depois de pedir ao Banco Central por vários meses que irrigasse o mercado com dólares ou papéis atrelados ao dólar, bancos e empresas parecem ter ''saciado'' seu apetite por proteção cambial. Hoje, a avaliação dos operadores é que sobra dólar no mercado.
A procura por dólares começou a cair quando apareceram indicadores de que os desequilíbrios externos da economia brasileira não eram tão grandes quanto o estimado pelo mercado. Os operadores listavam ontem os motivos que os fazem acreditar que o país não terá problemas de financiamento externo nos próximos meses, o que fará, portanto, com que o dólar não fique pressionado: 1) a recuperação da balança comercial, que já acumula superávit de US$ 1,7 bilhão; 2) a entrada inesperada de mais de US$ 2 bilhões de investimento estrangeiro em novembro; 3) sucessivos anúncios de captações externas de bancos e empresas brasileiros.
Passada a preocupação com o desequilíbrio externo e a consequente falta de dólares, as empresas começaram a desfazer-se da moeda. ''As empresas ficaram de março a outubro com medo de que houvesse escassez de dólares em 2002. Com isso, houve um acúmulo de caixa. Agora, que o mercado acredita que essa escassez não vai ocorrer, começou o movimento para se desfazer da moeda'', diz Marcelo Cypriano, economista do BankBoston.
Na sexta-feira, o presidente do Banco Central, Armínio Fraga, disse que, mesmo com a alta da semana passada, o real ainda poderia estar subvalorizado. O mercado traduziu a declaração de Fraga como um sinal de que a autoridade monetária vai continuar vendendo dólares e rolando os títulos cambiais, forçando a cotação da moeda para baixo.

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