Sobra dinheiro para projetos e empreendedores
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sábado, 29 de março de 2003
Vânia Moreira<br> Equipe da Folha 
Umuarama A maior parte dos recursos reservados para financiar projetos empresariais no Paraná não está sendo utilizada. Um dos principais programas do Governo do Estado, o Banco Social, por exemplo, tem cerca de R$ 12 milhões para financiar a abertura de pequenos negócios durante o ano, mas está liberando pouco mais de R$ 12 mil por mês.
Segundo o secretário do Trabalho, padre Roque Zimermman, faltam empreendedores e projetos. Já os prefeitos da região de Umuarama atribuem o baixo volume de novos projetos à burocracia e à falta de apoio aos empresários em outras etapas da empresa.
Para o prefeito de Umuarama, Fernando Scanavaca (PPB), os empresários precisam mais de crédito para tocar do que para iniciar o negócio. ''A gente tem observado que a maior dificuldade é obter capital de giro'', diz Scanavaca. A maioria recorre aos agiotas e acaba inadimplente ou falida por não suportar os altos juros dos empréstimos. Cerca de 80% das pessoas que obtiveram financiamento do programa municipal de incentivo a micro-empresas, o Banco do Povo, não estão pagando os financiamentos. Algumas chegaram a vender equipamentos financiados para fazer capital de giro.
A burocracia, na opinião dos prefeitos, é outro fator que desestimula os financiamentos. ''O Banco Social impõe uma série de requisitos e exigências que poucos interessados conseguem cumprir'', diz o prefeito de Perobal, José Evangelista de Albuquerque. O prefeito de Nova Olímpia, Luiz Sorvos, defende a criação de um fundo de aval pelo governo para garantir os empréstimos para empreendedores que estejam com restrições de crédito. ''Quem está com o nome inserido no SPC ou no Serasa fica excluído e geralmente são os que mais precisam de apoio'', alega.
Roque Zimermman disse que o governo do Estado está estudando formas de contornar os obstáculos e otimizar os programas de incentivo empresarial. O secretário pretende fazer reuniões em todas as regiões do Paraná para levantar problemas, necessidades e sugestões em relação ao fomento industrial, geração de empregos e formação de mão-de-obra.


