Sobra de cana facilita uso de 25% de etanol na gasolina
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 26 de outubro de 2012
Fábio Galiotto <br> Reportagem Local 
A União da Indústria da Cana-de-Açúcar (Unica) deu garantias ontem ao governo federal, em reunião em Brasília (DF), que não faltará etanol nas bombas, mesmo com a previsão de ampliação de 20% para 25% da mistura de álcool anidro na gasolina até junho de 2013. Para a Associação de Produtores de Bioenergia do Paraná (Alcopar), há possibilidade até de o prazo ser antecipado para maio, já que a região Centro-Sul deixará 20 milhões de toneladas de cana sem serem industrializadas nesta safra, que ficarão para a próxima colheita.
Segundo informações da entidade e da Agência Nacional do Petróleo (ANP), o prazo de junho foi determinado pelo Planalto como limite para a mudança, mas deve ser anunciado oficialmente pelo Ministério de Minas e Energia. O superintendente da Alcopar, José Adriano da Silva Dias, disse que os 20 milhões de toneladas de cana que ficarão em pé nesta safra representam 800 milhões de litros de álcool anidro, usado para mistura na gasolina, e 1,6 bilhões do hidratado, ou etanol.
De acordo com Dias, o consumo médio de um mês do combustível é de 630 milhões para o anidro e de 1 bilhão para o hidratado. Como a próxima safra deve começar em abril, o superintendente afirmou que a indústria deve trabalhar com ao menos um mês de reservas caso o prazo seja antecipado a maio. ''O abastecimento está assegurado, mesmo com atraso, caso ocorram chuvas que impeçam a colheita.''
Neste ano a seca adiou o início da safra que, quando foi iniciada, teve de sofrer novo adiamento devido às chuvas. Por isso, conforme Dias, houve atraso na produção, que culminou com a sobra de 20 milhões de toneladas de cana para 2013/14. ''A próxima safra tende a ser melhor do que a atual, porque o pessoal está adubando mais, expandindo os canaviais, e a expectativa é crescer.''
O presidente da Unica, Antônio Rodrigues Pádua, reforçou ontem que não haverá problema de abastecimento. ''Lógico que vai ter etanol, não tenham a menor dúvida. Temos cana e capacidade instalada para produzir, manter os níveis de exportação que temos hoje e aumentar a demanda de anidro para o nível de mistura de 25%'', afirmou.
Sobre o aumento da demanda que ocorre em dezembro, Pádua disse que esse foi o tema da reunião de ontem, em Brasília, e que não há risco. ''Não tem problema algum. Podem ficar tranquilos, os estoques estão suficientes para abastecer até o início da próxima safra.''
Envelhecimento
O superintendente destacou ainda que o envelhecimento das plantações, que reduziu a produção por hectare, deve ser resolvido apenas depois da safra de 2014/15. ''Não houve renovação e é preciso mexer em 20% da plantação por vez, então será preciso aumentar um pouco essa parcela'', afirma.
Com a produção menor e o atraso na colheita, José Dias, da Alcopar, informou que a expectativa neste ano é de 518 milhões de toneladas industrializadas de cana, além do que será deixado para a próxima safra. Até outubro, foram 419,35 milhões de toneladas, segundo a Unica. A retração na moagem até o momento foi de 4,04% sobre o mesmo período do ano passado. (Com Agência Estado)


