Os escritórios de contabilidade de todo o Brasil já vinham notando a mudança no ambiente econômico e no perfil dos novos empreendedores que estão abrindo novos negócios, principalmente micros e pequenas empresas. O estudo Sobrevivência das Empresas, divulgado nesta semana pelo Sebrae, confirmou esta tendência. O levantamento mostra que a cada cem empresas criadas no Brasil, 76 estão sobrevivendo aos dois primeiros anos de vida.
Segundo o presidente do Sindicato das Empresas de Serviços, Contabilidade, Auditoria e Perícia de Londrina (Sescap-Ldr), Marcelo Odetto Equiante, os novos empreendedores estão mais preparados para enfrentar os desafios do mercado. "Há alguns anos, houve no Brasil uma febre de Programas de Demissões Voluntárias, os famosos PDVs. Funcionários de bancos estatais, empresas governamentais, viram no PDV a oportunidade de mudar de vida e muitos deles empregaram o dinheiro recebido no programa para abrir um negócio. O problema é que, sem experiência e conhecimento do mercado, acabaram quebrando rapidamente", disse Esquiante.
Conforme o estudo apresentado pelo Sebrae, a taxa de sobrevivência das micros e pequenas empresas, em crescimento nos últimos anos, mostra uma melhor capacidade destes novos empresários para superar dificuldades nos primeiros dois anos do negócio. Nesse período inicial, a empresa ainda não é conhecida no mercado, não possui carteira de clientes e, muitas vezes, os empreendedores ainda têm pouca experiência em gestão.
"A taxa de sobrevivência atual é muito alta e se deve principalmente a três fatores: legislação favorável, aumento da escolaridade e mercado fortalecido", analisa o presidente do Sebrae, Luiz Barretto. "O Simples - que reduz impostos e unifica os tributos em um só boleto - deu tratamento diferenciado e melhores condições aos pequenos negócios. A escolaridade aumentou no Brasil como um todo e também beneficiou as empresas porque um empreendedor mais preparado se planeja melhor. E, por fim, a força do mercado interno, com mais de milhares de consumidores, impulsiona os pequenos negócios", destaca Barretto.
Segundo estudo do Sebrae, a região com maior número de empresas que vencem a barreira dos dois anos de vida é a Sudeste, onde também se concentra a maior quantidade de pequenos negócios. Nessa região, o índice de sobrevivência atingiu 78%. Em seguida está o Sul do País, com taxa de 75,3%, depois o Centro-Oeste (74%), Nordeste (71,3%) e Norte (68,9%). "Empreender sempre envolve risco, por isso é natural ter um percentual de empresas que não avançam. Mas qualquer taxa acima de 70% já é considerada bastante positiva, inclusive como parâmetro internacional", avalia o presidente do Sebrae.
Tomando como referência o estudo de sobrevivência das empresas feito pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) junto a 15 países, a taxa mais alta é da Eslovênia, com 78%. Ao atingir 76%, o Brasil supera países como o Canadá (74%), Áustria (71%), Espanha (69%), Itália (68%), Portugal (51%) e Holanda (50%), entre outros. O estudo da OCDE é o que mais se assemelha ao do Sebrae, no entanto considera ativa a empresa que tem ao menos um funcionário. Já o censo feito pelo Sebrae considera ativa a empresa que está em dia com a declaração fiscal junto à Receita Federal.
O presidente do Sescap-Ldr, Marcelo Esquiante afirma que os novos empresários precisam tomar alguns cuidados ao iniciar um empreendimento. "É essencial que o empreendedor conheça bem a atividade a que ele está se propondo. Conversar com o seu contador ajuda a esclarecer, por exemplo, qual o melhor enquadramento no sistema tributário. O Sebrae também recomenda a elaboração de um plano de negócios, avaliar sua capacidade financeira e não misturar as contas pessoais com as da empresa são algumas das principais dicas", explica Esquiante.

Fonte: Sindicato das Empresas de Assessoramento, Perícias, Informações, Pesquisas e Serviços Contábeis de Londrina (Sescap-Ldr).

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