Sobe taxa de financiamento para máquinas e caminhões
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quinta-feira, 12 de dezembro de 2013
Nelson Bortolin<br>Reportagem Local 
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, anunciou ontem, durante o Encontro Nacional da Indústria, em Brasília, que haverá mudanças nas taxas do Programa de Sustentação do Investimento (PSI) a partir de 1º de janeiro. As taxas para financiamento de ônibus e caminhões passarão de 4% para 6%. Para programas de inovação, mudam de 3,5% para 4%. Já para exportação passam de 5,5% para 8%. "As taxas cresceram pouco, acompanhando a Selic, mas continuarão atraentes", disse o ministro.
O PSI foi lançado em julho de 2009 como parte das medidas do governo para mitigar os efeitos da crise financeira internacional sobre a economia brasileira.
O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho, explicou que as taxas para máquinas e equipamentos saem de 3,5% passa para 4,5% no caso das micros, pequenas e médias empresas, e para 6% para grandes empresas. Atualmente, não há diferenciação da taxa segundo o porte das empresas. No ano que vem, as menores empresas continuam podendo financiar até 100% de máquinas e equipamentos. No caso das grandes, o porcentual máximo cairá de 90% para 80%.
Para caminhões e ônibus, a taxa atual de 4% passa para 6%. Nesse caso, as condições de participação máxima foram alteradas para as pequenas empresas, de 100% para 90%, e para as grandes, de 90% para 80%. Na linha Procaminhoneiro, a taxa sobe de 4% para 6%, mantendo a possibilidade de financiar o valor integral.
A menor mudança foi na linha de inovação: a taxa passa de 3,5% para 4%. As micros, pequenas e médias empresas continuam com a possibilidade de financiar 100% do valor e, para as grandes, o porcentual cai de 90% para 80%. "É o menor aumento, refletindo prioridade para inovação", comentou Coutinho.
Ele não quis fazer previsões de desembolso com o PSI para 2013 e para 2014. Mas acredita que, com o aumento das taxas e uma condição menos atraente, a demanda será menor no próximo ano. "Como houve subida de taxa, embora eu ache que ela é muito moderada, isso resultará em orçamento menor (em 2014 ante 2013)", disse Coutinho. "Vamos estimar a demanda para definir necessidade de taxa de orçamento para o ano que vem", acrescentou.
Para o gerente de negócios do Banco Mercedes Benz em Londrina, Hever do Vale, o aumento da taxa para compra de caminhões para 6% não vai impactar negativamente nos negócios. "Ela ainda é muito atrativa. O que determina o mercado de caminhões é o ritmo da atividade econômica", afirma. Ele ressalta que a atual taxa de 4% é "negativa" se considerada uma inflação de 5,5%.
Carlos Ardaitz, gestor da Konrad Caminhões (concessionária Ford em Londrina), acredita que o aumento pode até ser positivo. "Com 4%, o spread (taxa de remuneração do banco) era muito baixo e os bancos não apresentavam muito apetite para se arriscar", alega. Ele acha que agora o BNDES irá apresentar um spread maior, tornando o PSI mais atrativo aos agentes financeiros. Sobre 2014, ele concorda com Vale. "Acho que será um ano bom como 2013, com leve crescimento. O mercado de caminhões segue o ritmo econômico do País", afirma.
Presidente do Sindicato da Indústria Metal-Mecânica (Sindimetal) de Londrina, Valter Orsi recebeu a notícia do aumento da taxa com pessimismo. "Quando uma indústria busca financiamento para comprar um máquina, ela está agindo para se manter competitiva. São equipamentos caros, que depreciam rápido", declara.
De acordo com ele, como o País vive um momento de desindustrialização, o governo não deveria ter aumentado a taxa. "Aumentar os juros pode inclusive representar um incentivo para a indústria importar equipamentos", alega.
A assessoria do BNDES informou que ainda não é possível determinar quanto será o spread bancário com a nova taxa. Segundo o banco, até outubro deste ano, o PSI liberou R$ 68 bilhões em 211 mil operações.


