Sobe salário dos trabalhadores com mais estudo
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domingo, 28 de agosto de 2005
Andréa Bordinhão<br>Equipe da Folha 
Curitiba Quem conseguiu terminar a faculdade ou ao mesmo o ensino médio começou 2005 ganhando mais no Paraná. No primeiro semestre deste ano, em comparação com o mesmo período do ano passado, as empresas paranaenses subiram os salários dos trabalhadores com mais anos de estudos.
Os trabalhadores com ensino médio completo contratados entre janeiro e junho deste ano estão ganhando, em média, 3,2% a mais do que os que foram contratados no mesmo período do ano passado.
Já quem tem o ensino superior completo, admitido no mesmo período, teve alta de 3,9% na média salarial na comparação dos dois semestres. No Brasil, os trabalhadores que têm a oitava série completa ou incompleta foram os que tiveram a maior alta na média salarial na comparação dos dois períodos: 1,3% e 1,5% respectivamente.
As informações são de um estudo realizado pela Secretaria de Estado do Trabalho, Emprego e Promoção Social, com base nos dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho, sobre a evolução do salário médio em relação à escolaridade dos empregados com carteira assinada.
Segundo o estudo, os trabalhadores colocados no mercado de trabalho com ensino médio completo no primeiro semestre de 2004 começaram recebendo, em média, R$ 472,63. Já no primeiro semestre de 2005 o rendimento inicial médio das pessoas inseridas no mercado formal foi de R$ 487,69. Aqueles que ingressaram no emprego com o ensino superior completo nos seis primeiros meses do ano passado tiveram salário médio de R$ 1.170,67. No mesmo período deste ano, o rendimento subiu para R$ 1.216,80.
Uma das explicações para esta alta no salário real dos trabalhadores formais, segundo o economista do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese) no Paraná, Sandro Silva, é que setores da indústria que pagam salários mais altos começaram a contratar mais desde o fim do ano passado. ''Entre 2001 e 2003 os setores que mais geraram empregos foram da indústria de bebidas, vestuário e madeira, que pagam salários menores.
Em 2004, com a retomada da economia, teve geração de empregos na indústria de material de transportes (montadoras), mecânica e de material elétrico, que pagam melhor'', explicou o economista. Segundo Silva, dados de dezembro de 2003 mostram que, enquanto a média salarial da indústria do vestuário, por exemplo, era R$ 443,88, a média salarial das montadoras era de R$ 1.865,56.
Outros fatores citados por Silva para esta alta, além da retomada da economia, foi a redução da inflação e da taxa de juros e a confiança no governo que aumentou. Um outro fator que pode ter colaborado para esta alta, segundo o economista, é o mau desempenho da agricultura este ano. Isso porque geralmente é o setor que mais contrata no Estado, porém tem salários mais baixos. E este ano teve um desempenho ruim.
Em 2004 a agricultura gerou, nos primeiros seis meses de 2004, 14.352 empregos. No mesmo período deste ano foram abertas 10.541 vagas no setor (-26,5%). Por outro lado, o setor de serviços, que paga melhores salários contratou mais este ano: abriu 23.353 novos empregos nos primeiros seis meses de 2005 contra 21.420 vagas em 2004.
Para a pesquisa da Secretaria do Trabalho, o rendimento médio dos trabalhadores colocados no mercado formal no primeiro semestre de 2004 foi atualizado pelo Índice de Preços ao Consumidor (IPC) da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (FIPE), vinculado à Universidade de São Paulo (USP). O índice IPC-FIPE no acumulado de julho de 2004 a junho de 2005 alcançou 6,51%.


