O Brasil nunca importou e exportou tanto como no primeiro trimestre deste ano, segundo os dados divulgados ontem pelo Ministério do Desenvolvimento. As compras, no entanto, estão crescendo a um ritmo maior que as vendas. Desde o início de 2001, o País já acumulou um déficit comercial de US$ 676 milhões.
O déficit do trimestre é próximo ao rombo de US$ 705 milhões do ano passado. Embora o governo ainda fale em superávit para o ano, o memorando de política econômica negociado com o Fundo Monetário Internacional (FMI) prevê um modesto déficit em 2001.
As importações fecharam, nos primeiros três meses do ano, em US$ 14,65 bilhões, 5,1% a mais que o recorde anterior, registrado em 1998, antes da desvalorização do real. As exportações somaram US$ 13,79 bilhões, 14,4% a mais que o recorde registrado no mesmo período do ano passado.
Os dados do mês de março, consolidados ontem, mostram importações de US$ 5,45 bilhões e exportações de US$ 5,17 bilhões. O déficit no mês ficou em US$ 279 milhões. O rombo só não foi maior graças à devolução de um avião no valor de US$ 105 milhões. As devoluções de aeronaves para o exterior são contabilizadas como exportações.
Neste ano, as exportações brasileiras já contaram com US$ 210 milhões em reexportações de aviões. Em janeiro, um avião devolvido da Vasp engordou as vendas para o exterior em US$ 105 milhões. Se não fosse a reestruturação do setor aéreo, o déficit brasileiro já seria maior que o do ano passado. Estaria em US$ 886 milhões.
Como aconteceu em janeiro, a importação de máquinas e equipamentos para a indústria foi a que mais cresceu, 42,4% a mais que em março de 2000. Segundo o secretário-adjunto de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Ivan Ramalho, a redução das alíquotas de importação para máquinas e equipamentos efetivada no início do ano incentivou essas compras.

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