Sobe juro do cheque especial. BC prepara pacote para reduzir spread
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 17 de outubro de 2000
Agência Estado De Brasília 
O Banco Central (BC) pretende anunciar na segunda quinzena de novembro novas medidas para combater os juros altos do crediário e reduzir o diferencial de taxas entre a captação de recursos nas agências bancárias e a cobrada nos empréstimos, o chamado spread. Sem precisar prazos, o diretor de Política Monetária do BC, Luiz Fernando Figueiredo, ressaltou que o objetivo do governo é trazer as taxas para algo mais próximo do praticado nos países desenvolvidos.
O spread admitido pelos bancos no exterior em suas operações com a clientela varia de 5% a 25%, segundo o diretor de Política Monetária do BC. O referencial é ruim porque a maior parcela dos empréstimos concedidos no mercado internacional tem garantias. No Brasil, esta parcela garantida por colaterais oferecida pelo cliente é ínfima, disse Figueiredo. O diferencial de taxas cobrado nos financiamentos efetuados no mercado brasileiro era de 37,2% ao final de setembro. Em agosto, o spread era de 37,5%, segundo os divulgados pelo diretor de Política Monetária.
Sem adiantar detalhes, o diretor do BC comentou que a ação do governo se dará com base em estudos que indiquem quais os principais fatores que têm impedido a redução do spread e dos juros cobrados nos empréstimos bancários no Brasil.
O BC verificou que, em setembro, os juros dos empréstimos bancários ficaram estáveis em 53,4%, enquanto as taxas do cheque especial aumentavam 2,1 pontos porcentuais e saltavam de 148,7% para 150,8% ao ano. Essa é uma variação pequena e sem uma razão específica, disse o diretor de Política Monetária do BC. Ele ainda procurou minimizar o crescimento ao lembrar que as operações de cheque especial representam uma parte muito pequena no total dos empréstimos. Estamos falando de operações de R$ 6 bilhões num universo de R$ 137 bilhões, afirmou.
Figueiredo procurou ressaltar durante entrevista coletiva concedida ontem que os clientes de bancos no Brasil têm procurado nos últimos meses sair do cheque especial. Eles estão migrando para o crédito pessoal, disse. O estoque destas operações, segundo Figueiredo, aumentou em um ano cerca de 82,97%, enquanto o volume de empréstimos tomados via cheque especial se elevou em apenas 16,27% no mesmo período.
O saldo das operações de crédito pessoal ao final de setembro era de R$ 13,783 bilhões e o das transações com cheque especial era de R$ 6,693 bilhões. A taxa de juros do crédito pessoal era de 71,6% ao final do mês passado, enquanto a do cheque especial estava em 150,8% ao ano.


