Sobe inadimplência das micros e pequenas empresas
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quarta-feira, 18 de abril de 2018
Aline Machado Parodi<br>Reportagem Local 

A inadimplência das MPEs (micros e pequenas empresas) em fevereiro foi a mais alta desde março de 2016, mas há uma desaceleração do crescimento de empresas negativadas, segundo estudo da Serasa Experian, divulgado recentemente. Cerca de 5,025 milhões de micros e pequenas empresas no Brasil estavam com as contas atrasadas, o que representa 21,9% do total de companhias deste porte.
A quantidade de MPEs com contas em aberto em fevereiro de 2018 era 11% superior ao registrado em fevereiro do ano passado, quando 4,525 milhões de negócios desse porte estavam com dívidas em atraso.
As prestadoras de serviços (45,9%), empresas comercias (44,9%) e indústrias (8,7%) são as mais devedoras. No Paraná há 5,9% de empresas negativas, ficando atrás de São Paulo (32,8%), Minas Gerais (11%), Rio de Janeiro (8,2%) e Rio Grande do Sul (6%).
Segundo os economistas da Serasa, a alta de 0,5% em fevereiro do total de MPEs inadimplentes foi a menor dos últimos dez meses. Em janeiro, a alta havia sido de 1,2%. Os economistas acreditam que isso pode ser um sinal de que, com a maior disseminação do crescimento econômico e com as sucessivas quedas das taxas de juros, a alta da inadimplência pode estar chegando ao seu final.
O gestor de ambiente de negócios do Sebrae Norte, Sérgio Garcia Ozorio, comentou que a percepção é de uma retomada dos pagamentos em atraso. "A impressão é de que as pessoas estão revendo suas contas junto aos fornecedores, bancos e governo", disse. Em 2017, de acordo com uma pesquisa do Sebrae, 93% das micros e pequenas empresas eram devedoras.
IMPOSTOS
No ano passado, em torno de 35% das pequenas estavam com impostos atrasados no País. A inadimplência média de ICMS (Imposto sobre Comercialização de Mercadorias e Serviços) do Paraná caiu de 2,77%, em 2016, para 2,51%, em 2017. De acordo com a Secretaria Estadual da Fazenda, há um fluxo constante de contribuintes pela regularização dos débitos.
Na região de abrangência da Delegacia Regional da Receita Federal de Londrina, há 9.268 contribuintes pessoas jurídicas com impostos atrasados entre 2016 e 2018, totalizando R$ 47.381.332.422,47. O Simples Nacional é o tributo com maior inadimplência com 5.945 empresas negativadas.
Com a derrubada do veto do presidente Michel Temer ao Refis, na semana passada, pelo Congresso Nacional, os devedores das micros e pequenas empresas poderão aderir ao programa de refinanciamento que concede descontos de juros, multas e encargos e parcelamento dos débitos. Agora a Receita Federal aguarda a publicação da resolução que regulamenta os prazos do programa.
De acordo com o gestor do Sebrae, o Refis vem em um bom momento e deve auxiliar as empresas inadimplentes, mas ele aconselha que, antes do empresário aderir ao programa, é preciso analisar a capacidade de pagamento.
INDICADOR
O índice de inadimplência empresarial realizado pela Equipo Gestão, empresa especializada em gestão de contratos e terceiros, caiu no primeiro bimestre de 2018 em relação ao mesmo período do ano passado.
No primeiro bimestre de 2017, das mais de 29 mil empresas cadastradas no sistema Equipo, 40,5% registravam problemas com pagamentos de impostos. Neste ano, o índice caiu para 29,1%.
Para o CEO da empresa, Luiz Godoy, essa queda aponta um otimismo do empresário brasileiro. "O dado mostra que mais empresas estão preocupadas em regularizar sua situação para que possam voltar a fornecer para as grandes corporações, uma vez que não ter o CNPJ com débitos é um dos critérios essenciais para participar de projetos nesses grupos, em multinacionais e em licitações do governo", comentou.
O executivo afirmou que a manutenção do apoio do governo aos programas de refinanciamento de dívidas e no estudo por uma reforma tributária puxaram a melhora e podem diminuir ainda mais o índice.
O estudo analisou as CNDs (Certidões Negativas de Débitos), que atestam a ausência de pendências das companhias, nas esferas estaduais, federais, dívidas ativas com a União e regularização de pagamentos de FGTS. As 29.736 empresas analisadas estão inseridas em todos os ramos de atuação e em todos os estados brasileiros.


