Moeda americana acumula ganho de 3,79% ante o real
As preocupações com a crise na Turquia e seus desdobramentos voltaram a impor perdas aos mercados emergentes nesta quarta-feira (15), levando o dólar a se fortalecer ante a grande maioria das divisas desses países. Não foi diferente no Brasil, onde a moeda chegou a ser negociada acima R$ 3,92 no mercado à vista, no auge da busca do investidor por proteção. Ao final dos negócios, o dólar "spot" foi cotado a R$ 3,8978, com alta de 0,93% no dia. No acumulado de agosto, a moeda americana contabiliza ganho de 3,79% sobre o real. O cenário eleitoral doméstico, que começa a se intensificar, ficou em segundo plano nos negócios de hoje.

Mercado tenso com queda de braço entre Turquia e EUA
A tensão voltou a dominar os mercados após o governo da Turquia anunciar tarifas contra uma série de produtos importados dos Estados Unidos e um tribunal local rejeitar recurso para libertar o pastor norte-americano Andrew Brunson, pivô das recentes disputas comerciais entre Turquia e EUA. Outros países foram foco de preocupação e influenciaram os mercados emergentes, tendo a situação da Turquia como agravante. O Banco Central da República Argentina (BCRA) realizou três leilões cambiais ao longo do dia para tentar conter a depreciação da moeda local. O BC colocou no mercado US$ 781 milhões por meio desses leilões, de uma oferta original de US$ 1,6 bilhão.

Fatores externos puxaram Bolsa brasileira para baixo
Uma série de fatores externos puxou a Bolsa brasileira para baixo no pregão desta quarta-feira (15). O recrudescimento da crise da Turquia, que deixou os mercados na defensiva, o desempenho negativo das bolsas americanas e as perdas registradas na cotação dos contratos futuros das commodities fizeram com que o Ibovespa operasse durante toda a sessão em baixa. O principal índice do mercado acionário brasileiro fechou em queda de 1,94%, aos 77.077,99 pontos. Petrobras e Vale seguiram os sinais negativos das commodities e de seus pares no exterior. Os papéis da estatal do petróleo encerraram o pregão com perdas e 3,95% (ON) e 4,65% (PN), na mínima. A mineradora brasileira, cuja ação ordinária recuou 4,45%, também espelhou as quedas de 5,11% da BHP e de 3,20% da Rio Tinto 3,20%, em Londres. No bloco financeiro, Banco do Brasil perdeu 2,12%, Bradesco, 1,20% e Itaú Unibanco, 0,67%.


Juros futuros fecharam
perto da estabilidade
Os juros futuros fecharam a sessão regular perto da estabilidade, após passarem a maior parte da quarta-feira em alta. A desaceleração do ritmo é vista mais como uma pausa, na ausência de um noticiário mais forte à tarde, do que como movimento firme, uma vez que a crise na Turquia segue no centro das atenções. Os ativos de economias de países emergentes tiveram uma nova rodada de perdas, em especial as moedas, sendo a única exceção justamente a lira turca, em função de medida adotada pelo governo para restringir o acesso de investidores estrangeiros. A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2020 fechou em 8,19%, de 8,17% no ajuste de terça, e a do DI para janeiro de 2021 passou de 9,23% para 9,22%. A taxa do DI para janeiro de 2023 fechou estável em 10,71% e a do DI para janeiro de 2025 encerrou em 11,42%, de 11,39%.

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