Sob a ameaça da desindustrialização
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quarta-feira, 24 de novembro de 2010
Andréa Bertoldi<br> Equipe da Folha 
Curitiba - As perspectivas da economia brasileira para 2011 são positivas Esta é a avaliação dos economistas paranaeses que participaram ontem de um debate dentro do projeto ''Discutindo Economia'' para falar a respeito das ''Perspectivas da Economia para 2011 - o Câmbio e a Desindustrialização'' promovido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (Corecon-PR)
Segundo os especialistas, as previsões apontam para um crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) entre 4,5% e 5,5% O real deve continuar valorizado e a inflação em queda O crescimento do País será puxado pelo mercado interno e deve ocorrer um aquecimento do nível de emprego impulsionado pela construção civil com o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), as Olimpíadas, a Copa do Mundo e o Programa Minha Casa Minha Vida (MCMV)
O grande entrave para o setor industrial, na avaliação dos analistas paranaenses, é a valorização do real frente ao dólar, que vem provocando uma desindustrialização no País O economista da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), Roberto Zurcher, disse que o Brasil sofre com a ''doença holandesa'' que é a desindustrialização causada pelo câmbio elevado em países produtores de commodities No entanto, no Paraná, esse processo é amenizado porque o Estado cresce acima da média nacional em função da presença do campo e tem uma indústria de alimentos forte
''Sofremos da doença, mas estamos protegidos pelo agronegócio'', disse Segundo ele, os outros setores da indústria paranaense, já começaram a desindustrialização que tem como primeiro sinal a substituição de produtos nacionais por importados Isso teve início há dois anos
A previsão de Zurcher é de que, em 2011, o dólar fique no mesmo patamar deste ano ''Não tem como retroceder a desindustrialização Em dois ou três anos podemos ter problemas maiores se o câmbio não aumentar'', disse Ele acredita que, para as exportações, seria melhor uma cotação da moeda americana em R$ 2,00 a R$ 2,30
Para o próximo ano, o economista da Fiep, aponta ainda que a balança comercial tenha saldo zero ou mesmo um deficit O lado positivo é que não entra tanto dólar na economia brasileira Mas a notícia ruim é que o Brasil tem dívida externa que será paga em dólar e não em real
Os setores industriais que mais sentiram o reflexo do câmbio foram o de madeira que exportava 50% da produção e hoje não faz mais isso, além das áreas de mobiliário e papel e celulose que já começa a ser atingido O setor automobilístico teve saldo comercial negativo no Paraná
O dólar baixo prejudica as exportações, mas por outro lado permite que as indústrias comprem maquinário para aumentar a produtividade Com a crise financeira de 2008, os investimentos em equipamentos e máquinas caíram bastante
Zurcher acredita que, para conter o risco, a indústria deveria investir na transformação dos produtos primários Entre as soluções ele cita ainda a necessidade de diminuir a transferência de renda de todos os setores da economia para o setor financeiro, selecionar áreas que sejam estratégicas para o Brasil e protegê-las Além disso, é preciso incentivar a política de crescimento do mercado interno e reduzir as despesas de custeio do setor público


