Só recurso natural não atrai turistas, diz Caio Carvalho
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sexta-feira, 01 de agosto de 1997
Carina Paccola Londrina 
Marcos BorgesO turismo no Brasil precisa de planejamento. Por contar com muitas recursos naturais, o País sempre acreditou que não havia necessidade de estratégia para atrair turistas - disse ontem, em Londrina, o presidente do Instituto Brasileiro de Turismo (Embratur), Caio Luiz de Carvalho. O Brasil acreditava que o turismo era mágica, afirmou. Ele falou sobre Perspectivas do turismo no Brasil neste final de século, no 1º Seminário Norte Paranaense de Empresas Hoteleiras e de Gastronomia, que termina amanhã, no Crystal Palace Hotel.
Para recuperar o tempo em que não se investiu no setor, em 1995 foi elaborado um plano estratégico, pela Embratur e várias entidades ligadas ao turismo, que pretende alavancar a atividade no País. As quatro macroestratégias com que devem trabalhar os municípios, estados e País são: necessidade de melhorar a infra-estrutura básica; incentivo à capacitação profissional para serviços; modernização da legislação nacional para atrair investimentos internos e externos; fortalecimento da imagem do País no exterior. Oferecer serviços básicos com qualidade não é mais diferencial, mas obrigação.
Josoé de CarvalhoForça emergenteAbertura do 1º Seminário sobre Turismo, que termina amanhã em Londrina. Ao lado, o presidente da Embratur, Caio Carvalho: Oferecer serviços com qualidade não é diferencial, mas obrigaçãoSe os recursos naturais não são suficientes para atrair turistas, Caio de Carvalho aponta algumas metas que devem ser atingidas para potencializar uma região para o turismo, como ter produtos exclusivos, preços competitivos, produtos criativos e jamais banais, agregar diferenciais às qualidades naturais. Ele cita que, num evento sobre turismo, um espanhol disse que Barcelona tem a praia mais bonita do mundo, o que causou indignação principalmente aos brasileiros. A justificativa foi que em Barcelona há o Museu de Picasso. Isso nos leva a refletir que o nordeste e o Rio de Janeiro não podem vender só sol e praia. É preciso agregar muitos museus de Picasso para uma região se tornar atrativa para o turismo, disse.
Os municípios devem criar seus conselhos municipais de turismo, delimitar o perfil de turista que se pretende atrair, formar um fundo misto de promoção e atuar com as metas da Embratur. Londrina tem pujança econômica, 16 mil jovens na universidade, uma área médica desenvolvida, indústrias e qualidade de vida. O turismo é possível numa cidade com essas características. O município precisa caminhar com criatividade para elaborar um produto diferencial.
Ele ressalta que a Embratur tem oficinas e programas à disposição dos municípios dispostas a investir no setor. Há financiamentos do BNDES - a Embratur está gestionando junto ao banco para facilitar crédito para os empreendimentos menores - e outras linhas que devem ser usadas para investimentos em turismo.
O Nordeste está fazendo experiência com bancos, que financiam até R$ 20 mil para qualquer setor relacionado a turismo, desde taxistas até pousadas que queiram melhorar seu serviço. O governo está investindo também US$ 800 milhões em infra-estrutura no NE. Já decolamos o setor no Amazonas e no Centro-Oeste. Agora vem a vez da região sul, onde foram detectados 2.470 atrativos turísticos, diz Carvalho. Segundo ele, a política da Embratur para o Sul do País visa o Mercosul.


