Só em 2081, mulher terá salário igual ao do homem
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quinta-feira, 07 de setembro de 2006
Agência Brasil 
Rio de Janeiro - Quanto maior o nível de escolaridade, maior a diferença salarial entre homens e mulheres. A constatação é do economista do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Antônio Marcos Ambrozio, coordenador da publicação Visão do Desenvolvimento - um estudo do banco para detalhar melhor os indicadores sociais do país.
Elaborado a partir de dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) e Relação Anual de Informações Sociais (Rais), do Ministério do Trabalho, sobre rendimento e emprego nos últimos dez anos no País, a publicação constatou que o salário médio real dos homens superou o feminino em todo os anos, entre 1996 e 2005.
Os salários reais médios a preços de 2005 dos homens admitidos entre 1996 e 2005 foram de R$ 614, enquanto o das mulheres ficou em R$ 556. Analisando o documento do ponto de vista do grau de escolaridade, o rendimento médio tanto dos homens como das mulheres mostra-se crescente com o avanço do nível de instrução, embora o salário médio real dos homens tenha superado o das mulheres em todos os níveis de escolaridade considerados pelo estudo.
O diferencial foi maior, no entanto, para os trabalhadores com nível de escolaridade mais elevado: acima do ensino médio as mulheres auferiram em média apenas 63% do salário real médio do dos homens, constata no estudo o economista do BNDES.
Em contrapartida, é exatamente entre os trabalhadores com menor grau de escolaridade que os vencimentos de homens e mulheres mais se aproximam: entre o contingente de trabalhadores com instrução até a quarta série, o rendimento médio real das mulheres equivaleu, em média, a 82% da remuneração dos homens. Já entre os analfabetos, o rendimento médio real das mulheres foi em média superior ao dos homens.
Segundo o estudo, mantida a evolução dos últimos dez anos, somente em 2081 as mulheres deverão passar a receber salários iguais aos dos homens. ''As projeções, no entanto, podem ser atropeladas pela constatação de que, em razão das dificuldades decorrentes da realidade do mercado, as mulheres vem buscando cada vez maior grau de especialização. Grau este que poderá lhes dar maior capacidade de competição em um mercado ainda favorável em nível salarial ao sexo masculino'', explica o economista.


