Dos 30 deputados federais paranaenses, apenas dois votaram contra o texto principal do novo Código Florestal: Dr. Rosinha (PT) e Rosane Ferreira (PV). Um parlamentar não estava em Brasília na segunda-feira e os demais 27 disseram sim ao projeto. A emenda 164 também teve ampla aceitação entre os paranaenses, mas com folga menor. No total, sete paranaenses a rejeitaram.
Procurada pela FOLHA ontem à tarde, a deputada Rosane Ferreira mostrou-se frustrada com a decisão da véspera. Ela afirmou que a Câmara sofreu um ''tsunami ruralista'' e perdeu a oportunidade de fazer um ''grande código ambiental''. ''Retrocedemos 40 anos na história'', declara.
Para a parlamentar, a ''lição que fica para o povo brasileiro'' é a de que ''não vale a pena cumprir a lei''. ''O código era de 1964. Tivemos muito tempo para nos adequar a ele, mas o Brasil empurrou esta decisão com a barriga'', alega. Segundo a deputada, o texto aprovado pela Câmara deverá ser aceito no Senado sem alterações. ''Lá, a bancada ruralista é ainda mais forte. Acredito mais num veto da presidente (Dilma Roussef) que na modificação do projeto pelos senadores'', ressalta.
O petista Dr. Rosinha disse que o projeto permite a ''destruição'' das áreas de preservação permanente (APPs). Segundo ele, o Senado irá fazer algumas alterações e o texto voltará para análise da Câmara. ''Se isso não acontecer, a presidente irá vetar'', acredita. Acontece que, de acordo com o petista, o texto está ''muito bem amarrado'' e, se o Executivo quiser, terá de vetar o projeto integralmente. ''Na minha opinião, a presidente deveria pegar o código, que é de 64, e fazer as adequações necessárias por decreto'', sugere.
O deputado federal londrinense André Vargas (PT) também votou pelo novo código, mas contra a emenda 164. ''A emenda isenta os que já desmataram e incentiva novos desmatamentos'', avalia. Segundo ele, a possibilidade de os Estados regulamentarem a utilização das áreas de preservação é ''muito perigosa''.
Vargas resssalta que o governo federal vai trabalhar para modificar o texto no Senado. ''Com algumas ressalvas, concordamos com o projeto do relator (deputado Aldo Rebelo - PCdoB), mas essa emenda não dá para aceitar'', salienta. De acordo com Vargas, se não for modificado pelos senadores, a presidente Dilma Rousseff irá vetar ao menos os pontos previstos na emenda.
O outro londrinense, Alex Canziani (PTB), também votou sim ao texto principal, mas não estava em plenário quando os colegas apreciaram a emenda. ''Estava em missão partidária'', justifica. Apesar disso, ele diz ser favorável a ela. ''Se estivesse presente votaria com os produtores'', conta.
Apesar de admitir que votou em favor de um dos lados, Canziani alega que o projeto é bom para todos. ''Ele é bom para o agricultor, é bom para o meio ambiente. Não existe país no mundo que terá uma legislação tão avançada quanto a nossa'', garante.

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