Só dá soja
A área de plantio da soja, no próximo verão, pode aumentar à vontade; a oferta pode aumentar. Qualquer que seja o aumento, o mercado será garantido e sempre muito bom, ainda que o câmbio e outras variáveis venham a oscilar na época da comercialização. É que sempre haverá demanda. E a América do Sul, puxada pela produção brasileira, começa a exercer forte influência sobre os rumos do mercado.
A nova configuração do mercado da soja foi um dos pontos abordados ontem à noite, em Cambé, na palestra do especialista em análise de commodities, Fernando Muraro, da Agência Rurall, de Curitiba.
De 1997/98 para cá a produção mundial da soja - em números aproximados - saltou de 158 milhões de toneladas para 194 milhões de t, um aumento de cerca de 36 milhões de t. O consumo, no mesmo período saltou de 150 milhões de t para 195 milhões de toneladas (+45 milhões de t).
O crescimento do consumo se dá em velocidade superior ao crescimento da produção. Isto faz com que o mercado permaneça firme, apesar da supersafra brasileira.
O mais importante é observar que o crescimento da produção ocorre em cima das safras brasileira e Argentina.
O Brasil sai de 31 milhões de t, naquele ano, para 49 milhões de t na última safra. A Argentina sai de 20 milhões de t para 35 milhões; o Paraguai, de 3 milhões para 4 milhões de t. E os Estados Unidos? Os EUA, no mesmo período, mantém sua produção em torno de 74 milhões de toneladas.
O que Fernando Muraro chama de ''nova formação'' de preços é o fato de a América do Sul, pela primeira vez na história, está produzindo mais soja que os EUA. É interessante entender o seguinte: a safra sul-americana colhida agora, de 90 milhões de t supera a norte-americana, de não mais que 75 milhões de t. E ultrapassa logo com uma vantagem de 15 milhões de t.
Outro ponto é a situação dos estoques norte-americanos: estão muito baixos, cerca de 3,6 milhões de toneladas. Situação igual só a de 1997/97. Os preços internos responderam imediatamente.
Matéria completa com Fernando Muraro Jr (sobre soja e milho) e Benedito Oliveira (trigo) na Folha Rural de sábado.
Milho está fora - Um agricultor de Cambé analisa o potencial de mercado da soja, sua liquidez, seus preços atrelados ao dólar, etc. e compara com as incertezas do mercado do milho. Conclui: não vai sobrar terra para plantar milho.
Praticamente o mesmo comentário feito dias atrás por um experiente comerciante de cereais, José Pitolli, de Cornélio Procópio: Quem pensa direito não vai plantar milho.





