Só as grandes redes de supermercados estão vendendo mais
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quinta-feira, 20 de dezembro de 2001
Célia Guerra<br>De Londrina 
Enquanto na periferia os donos de supermercados esperam uma queda de 5% a 10% nas vendas de Natal, os diretores de hipermercados em Londrina já comemoram a reação nas vendas e prevêem um crecimento de 10% a 15% em relação ao ano passado. O movimento maior é esperado por todos a partir de hoje, quando deve sair a última parcela do 13º salário. No final da semana e segunda-feira deve acontecer o ''boom'' de vendas.
O diretor da geral da rede Hipermuffato, Everton Muffato, disse que a empresa aumentou em 15% o estoque pois contava com esse crescimento nas vendas. Já o gerente do Supermercado Santarém, no conjunto Cafezal 4, zona sul, Wilson Renato Rodrigues, preferiu optar pela cautela. Ele não alterou o estoque nem mesmo em alguns produtos natalinos como a champanhe. ''Estamos trabalhando com o mesmo estoque do ano passado'', revelou.
O diretor do Carrefour, Manoel Boff, não percebeu alterações no consumo dos produtos natalinos, mas informou que não houve aumento no estoque dessa linha. ''Mantivemos as quantidades comercializadas no ano passado.'' O gerente de compras do Supermercado Big Dog, no jardim Bandeirantes, zona oeste, Jorge Shiki, disse que o investimento da empresa, este ano, aumentou a área de venda. Por isso foi necessário uma elevação na compra de mercadorias. Mas apesar do movimento fraco do início da semana, está confiante em reação às vésperas do Natal.
Os preços dos produtos natalinos nacionais, na avaliação de Muffato, estão relativamente iguais ao ano passado. Já os importados, devido ao aumento do dólar, têm reajustes maiores, o que acaba reduzindo a procura por bacalhau e frutas cristalizadas, por exemplo. ''O brasileiro está procurando opções nacionais'', observou.
A guerra maior pelo mercado está no consumo das tradicionais aves natalinas, com duas grandes empresas do setor Perdigão e Sadia disputando na mídia a preferência do consumidor pelo chester ou peru. A propaganda compensa. O comerciante Rafael Ferri, 66 anos, que fazia compras ontem no Hipermuffato, confessa que foi influenciado pela propaganda e trocou o chester pelo peru neste Natal.
Para o diretor do Carrefour a venda dos dois produtos está equilibrada, apesar do chester ser mais barato. Uma funcionária do Hipermuffato diz que a diferença no preço ainda dá vantagem de venda para o frango ou chester. O preço do peru fica em torno de R$ 4,90 o quilo, enquanto o chester está sendo vendido a R$ 4,39. As duas redes de hipermercados revelam que a partir de hoje as aves estarão em promoção, mas não informaram de quanto será a redução.
A ceia de Natal para o aposentado Antonio Domingos da Silva, 65 anos, será mais modesta que a do ano passado. Ele reclama que a alta nos preço obrigará a família a oferecer menos carne nas festas de final de ano. ''Também diminuimos a lista de amigos convidados'', diz.
A doméstica Maria Mendes também está desanimada e afirma que este ano não terá condições financeiras para festas. Dois dos filhos que ajudavam nas despesas domésticas estão desempregados.
A redução da lista de convidados para a ceia foi a opção da professora Rosa Viani Soares. Ela destacou a preferência por vinhos e champanhe importados, os quais considera insubstituíveis. O marido, Valdo Batista Soares, não tem a mesma opinião e destaca que os produtos nacionais estão tão bons quanto os importados. ''Podemos manter a qualidade das festas de final de ano com a vantagem de gastar menos'', observou.


