Agência Estado
De Brasília
No ano passado foram abertos 418.351 novos postos de trabalho – a melhor taxa dos últimos cinco anos. Porém, 395.068, ou seja, 94,4% do total, são empregos sem carteira assinada. Os dados foram apresentados ontem pelo secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Edward Amadeo, durante a divulgação do Boletim de Acompanhamento Macroeconômico. ‘‘É um bom resultado, mas o fato de serem empregos sem carteira deve chamar nossa atenção como governo e como sociedade’’, comentou o secretário. Ele admitiu que o fato de os novos postos de trabalho não serem formais ‘‘diminui a importância da geração recorde de empregos.’’ Na sua opinião, as vagas sem carteira assinada não deveriam ser chamadas de ‘‘informais’’, mas sim de ‘‘ilegais’’.
Para 2000, o secretário previu que o aumento na oferta de vagas ocorrida em 99 deverá repetir-se. No entanto, segundo alertou, o número de pessoas procurando emprego também tende a aumentar. ‘‘Quando o mercado de trabalho melhora, mais pessoas se oferecem’’, disse Amadeo.
‘‘É o caso dos mais jovens, por exemplo.’’ Por isso, mesmo que a economia tenha um bom desempenho e haja criação líquida de empregos ao longo deste ano, a taxa de desemprego poderá não cair.
Os números apresentados por Amadeo são da Pesquisa Mensal de Empregos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Nela são considerados os trabalhadores dos mercados formal e informal em seis grandes regiões metropolitanas: São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Porto Alegre, Recife e Salvador. De acordo com a série apresentada ontem, a geração líquida de empregos (ou seja, o total de postos de trabalho criados, menos as vagas fechadas no mesmo período) foi de 316.494 em 95. Em 96, foram criados 294.999 empregos. Em 97, o número de vagas fechadas superou as abertas em 93.155. O mesmo desempenho negativo ocorreu em 98, quando foram fechadas 5.993 vagas.
Em 99, foram criados 418.351 empregos. No ano passado, o setor que mais abriu vagas foi o de serviços, com 320.027 novos postos. A indústria de transformação criou 78.707 empregos no ano passado. Já a construção civil fechou 18.243 vagas e o comércio desempregou mais 17.807 pessoas. O ano passado foi marcado pela informalização do mercado de trabalho, de acordo com os números apresentados. Foram fechadas 13.925 vagas com carteira assinada.
O aumento do número de empregos deveu-se exclusivamente à abertura de 395.068 postos de trabalho sem carteira e porque 36.940 pessoas decidiram trabalhar por conta própria.
Na opinião do secretário, o aumento das vagas ‘‘ilegais’’ deve ser discutido ‘‘com mais profundidade.’’ Ele explicou que considera os empregos sem carteira como ilegais porque são de pessoas que não contribuem para o Instituto Nacional de Seguro Social (INSS), como prevê a lei. Segundo Amadeo, a falta de crescimento econômico explica apenas em parte o problema.

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