Só 4,2% do mercado formal ganha mínimo
Carmem Murara
De Curitiba
O aumento do salário mínimo de R$ 138 para R$ 151 confirmado pelo governo federal, nesta semana, terá maior impacto entre os trabalhadores que não possuem carteira assinada no Paraná. Dados do Dieese mostram que apenas 4,2% das pessoas que trabalham com registro profissional recebem apenas um salário mínimo, enquanto o IBGE, que calcula o trabalho formal e informal, aponta que 16,5% da população economicamente ativa recebe o mínimo no Paraná, o que representa 733,3 mil pessoas. A maioria das profissões tem entidades representativas e por isso conseguiram fixar pisos salariais que superam o mínimo em pelo menos duas vezes.
As empregadas domésticas são exemplos de que o mínimo vale apenas na teoria, em muitos casos. Elas são representadas pelo Sindicato dos Empregados Domésticos, mas até hoje não conseguiram um acordo coletivo de trabalho. Mesmo assim não recebem apenas os R$ 151. Na média elas recebem dois salários mínimos. É assim que funciona o mercado, afirmou ontem o advogado do sindicato Carlos Augusto Cogo.
A atividade agrícola é uma das que mais sofre com a baixa remuneração, segundo avaliação do Dieese. Os trabalhadores na agricultura recebem entre 10% e 20% acima do mínimo, afirmou o economista do Dieese, Cid Cordeiro. Em sua avaliação, o aumento do mínimo representa um efeito indireto na economia e acaba servindo de referência para negociações salariais.
Entre as categorias profissionais que menos recebem estão ainda os trabalhadores da construção civil. A função menos remunerada é a de servente de pedreiro que ganha R$ 308 por mês. O maior salário é o do mestre de obras com R$ 606,00 mensais. O diretor de imprensa do sindicato Domingos Oliveira Davide diz que apenas quem trabalha como office boy recebe o mínimo acrescido de 10%. Com exceção do office boy, o aumento do mínimo não muda nada para nós, afirmou Davide.
Hoje, há cerca de 35 mil trabalhadores na construção civil em todo o Estado, sendo que 30% não têm carteira assinada e por isso estão mais sujeitos a receber menos. Entre os trabalhadores domésticos, a informalidade é mais intensa. Ela atinge 75%, segundo estimativa do sindicato da categoria.





