O número de usuários de planos de saúde em Londrina é mais um indicador de que a economia da cidade anda mal das pernas há algum tempo. Levantamento feito pela reportagem no site da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) mostra que, numa lista de 34 municípios brasileiros que têm entre 350 mil e 650 mil habitantes (excetuando capitais), Londrina está em 23º lugar em número de habitantes que não dependem do Sistema Único de Saúde (SUS). A FOLHA comparou a quantidade de planos com a população.
Enquanto na campeã do ranking, Niterói (RJ), 66% dos moradores (328.673 de 495.470) têm plano de saúde, em Londrina apenas 35% (189.671 de 543.003) estão nesta condição. Das quatro cidades da Região Sul que constam do levantamento, Londrina fica na última colocação. Em Caxias do Sul (RS), 60% dos habitantes não dependem do SUS. Em Maringá, esta porcentagem é de 46%. E, em Joinville, de 39%.
Londrina cai para o penúltimo lugar do ranking nacional quando comparada à proporção de planos empresariais em relação ao total. Enquanto em Betim (MG), 84% dos usuários têm os planos subsidiados parcial ou integralmente pelos patrões, em Londrina, são apenas 42%. Das cidades analisadas, só São José do Rio Preto (SP) perde neste quesito, com 41%.

Números absolutos
Na lista dos 34 municípios, há 16 que, embora menores, têm um número de planos empresariais mais alto que o de Londrina. Caxias do Sul (RS), por exemplo, tem 470.223 habitantes, 72.780 a menos que Londrina. Mas lá, o número de usuários com planos fornecidos por suas empresas é de 199.961, ou 117.215 a mais que os 82.746 concedidos pelas empresas londrinenses.
Piracicaba, em São Paulo, tem 388.412 habitantes, ou 154.691 menos que Londrina. Mas tem 138.887 planos empresariais, 56.141 a mais que Londrina. Também neste quesito Maringá está à frente: tem 391.698 habitantes (151.305 menos que Londrina), mas 98.942 planos de pessoas jurídicas, ou 16.196 a mais.
Segundo o diretor executivo da Associação Brasileira de Medicina de Grupo (Abramge), Antônio Carlos Abbatepaolo, os planos de saúde são o segundo sonho de consumo dos brasileiros, perdendo apenas para a casa própria. Por isso, na opinião dele, o número de planos vendidos é um bom indicador de desenvolvimento econômico dos municípios. "Toda vez que há aumento de emprego, o reflexo é direto no nosso setor", afirma.
Atualmente, de acordo com ele, a medicina de grupo passa por um processo de interiorização e cresce mais nas cidades entre 300 mil e 700 mil habitantes. "Principalmente nas regiões cuja economia é impulsionada pelo agronegócio", declara.
O diretor conta que, atualmente, cerca de um quarto dos brasileiros têm plano de saúde – 50,9 milhões de um total de 202,7 milhões de habitantes. "O setor vem crescendo numa linha ascendente contínua nos últimos anos" declara. Em 2000, havia 31 milhões de planos de saúde no País. O crescimento, desde então, é de 64%.

Imagem ilustrativa da imagem Só 35% dos londrinenses têm planos de saúde
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