Só 1,7% da indústria investe em inovação
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quarta-feira, 08 de junho de 2005
Denise Chrispim Marin<BR>Agência Estado 
Brasília - Apenas 1,7% da indústria brasileira adota iniciativas de inovação e de diferenciação de produtos. Essas companhias, entretanto, respondem por 25,9% do faturamento industrial do País e por 13,2% do emprego gerado no setor. Uma parcela mais significativa, de 21,3%, é composta por firmas especializadas na produção de bens padronizados (que têm como prioridade o baixo custo). É o que revela mapeamento concluído pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplica (Ipea) e apresentado ontem em Brasília.
Os dados desmitificaram ainda as versões de que as empresas estrangeiras estabelecidas no Brasil são as que mais investem em pesquisa e desenvolvimento. O estudo apontou que, em 2000, o desembolso de empresas de capital estrangeiro em iniciativas de pesquisa e desenvolvimento no Brasil foi de R$ 1,7 bilhão. Em média, o dispêndio com a inovação equivale a 0,62% do faturamento. Nas companhias nacionais alcança R$ 2,03 bilhões, 0,75% de suas vendas.
Da mesma forma, apontou que as empresas de capital brasileiro respondem por um investimento produtivo no exterior da ordem de US$ 13 bilhões, o que reforça as iniciativas de internacionalização das companhias nacionais.
Divulgado ontem no Palácio do Planalto, com a presença do ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Luiz Fernando Furlan, o estudo cobriu 72 mil empresas industriais, todas com mais de dez empregados. Esse conjunto responde por mais de 95% da indústria de transformação. Também envolveu um universo de informações sobre 5,7 milhões de trabalhadores. O objetivo foi o de traçar um cenário realista sobre o interesse da indústria na inovação e em novos padrões tecnológicos, vetor considerado crucial para a inserção competitiva do produto no exterior e também para a disputa do mercado nacional, com adição de valor.
Coordenado pelos economistas João Alberto De Negri e Mário Sérgio Salerno, do Ipea, o mapeamento chegou a conclusões expressivas. A primeira, que as firmas que investem na inovação tecnológica têm 16% mais chances de exportar que aquelas que não optam por essa via. A segunda, que cada trabalhador em empresas que inovam e diferenciam seus produtos é responsável por R$ 74,1 mil no processo de adição de valor ao produto. Essa cifra é 67,3% maior que a dos empregados de indústrias especializadas em produtos padronizados. Nas empresas que não tomam essas iniciativas - 77,1% das indústrias do País - cada pessoa ocupada produz apenas R$ 10 mil em média.
Os salários, a escolaridade e o tempo de emprego da mão-de-obra também refletem a opção da indústria quanto à inovação. Nas que adotam essas iniciativas, em média, a remuneração mensal é de R$ 1.254,64, os trabalhadores contam com 9,13 anos de estudos e o tempo de emprego é de cerca de 54,09 meses.
De acordo com De Negri, entre 1998 e 2000, 31% das indústrias brasileiras realizaram algum tipo de inovação. Esse porcentual ainda se mantém bem abaixo do registrado pela Grécia (de 26%) e de países como a Dinamarca, a Holanda, a Bélgica e a Alemanha (de 49% a 60%).


