São Paulo - Mais da metade dos brasileiros com idade superior a dez anos - 55% deles - nunca utilizou um computador. Quando a porcentagem refere-se ao uso da internet o valor fica ainda maior: 68% dessas pessoas nunca navegaram pela rede. As informações têm como base a primeira pesquisa do Comitê Gestor da Internet (CGI), referente a agosto e setembro deste ano, sobre a penetração e uso da web no Brasil.
Apesar de os dados apontarem um longo caminho para a concretização da inclusão digital, o número de internautas domiciliares no Brasil dobrou nos últimos cinco anos: foi de 5,1 milhões de usuários em setembro de 2000 para 11,96 milhões em setembro deste ano, segundo pesquisas do Ibope/NetRatings.
Se também consideradas as pessoas que acessam a web do trabalho ou de telecentros, por exemplo, o número de brasileiros on-line chegou aos 32,1 milhões no terceiro trimestre de 2005.
O estudo do CGI também aponta que 16,6% dos brasileiros possuem computadores de mesa em suas casas, sendo que nem todas as máquinas permitem acesso à internet. O grupo que utiliza micros diariamente fica por volta de 13,8% dos brasileiros com mais de dez anos, enquanto 9,6% deles navegam pela web todos os dias.
O Distrito Federal é a região com o maior número de computadores em casa - 31% dos domicílios-, seguido pela região metropolitana de São Paulo (27%), de Curitiba (23%), do Rio de Janeiro (22%) e de Porto Alegre (21%). ''Estes números estão diretamente relacionados à renda e taxa de escolaridade'', diz Rogério Santanna, secretário de Logística e Tecnologia da Informação do Ministério do Planejamento.
A pior porcentagem divulgada refere-se à região metropolitana de Fortaleza, onde apenas 8% das residências têm micros. Ao considerar classes sociais, o estudo indica que 88,7% dos domicílios pertencentes à classe A são equipados com computadores. Já na classe B este valor cai para 55,5%, seguido por 16,1% da classe C e 2% das classes D/E.
Inclusão - Cerca de 43% dos 8 mil entrevistados disseram estar dispostos a pagar até R$ 1.400 para ter um computador em casa - este é o preço limite do PC popular, que obedece uma configuração pré-estabelecida pelo governo e pode ser adquirido via financiamento facilitado. No entanto, 22% deles não comprariam uma máquina mesmo se ela custasse R$ 300.
''Os números mostram a importância de políticas de acesso público à internet. Mesmo com redução de preços e facilidade de pagamento, ainda é grande a quantidade de pessoas que não pode comprar computadores'', afirma Santanna.
A principal barreira de uso da internet nas residências é um motivo um tanto óbvio: a falta de computadores. Cerca de 59% das pessoas citam este fator, enquanto 33% são mais específicas ao culpar o custo elevado do equipamento.
Segundo a pesquisa, os obstáculos estão ligados à geografia - que por sua vez se relaciona a questões socio-econômicas.

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