Smartphones, as galinhas dos ovos de ouro dos eletrônicos
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terça-feira, 19 de julho de 2016
Mie Francine Chiba<br>Reportagem Local 

São Paulo - Com perda de mais de R$ 20 bilhões em 2015 nos gastos com tecnologia, o País deverá ter como a última esperança em 2016 o mercado de smartphones. Esta é a previsão apresentada pela consultoria Gfk na Eletrolar, que termina amanhã em São Paulo.
Em 2014, o País teve um bom ano, com R$ 96,2 bilhões em gastos com tecnologia, com queda para R$ 78,7 bilhões em 2015 e previsão de R$ 75,7 bilhões em 2016. Em 2017, a expectativa é que ainda não haja recuperação, e os gastos com tecnologia fiquem próximos aos deste ano, em R$ 73 bilhões, chegando ao mesmo patamar de quatro anos atrás (2012), quando esse valor fechou em R$ 72 bilhões. "A perspectiva para 2017 é que não vai ser um ano de recuperação plena. Mas vai haver uma estabilização do mercado e acredito em uma melhoria do cenário", diz Oliver Romerscheidt, consultor da Gfk.
Segundo avaliação da Gkf, o ano de 2014 teve como impulsionadores a compra de televisores para a Copa do Mundo e a venda de smartphones ainda crescendo. Em 2015, houve queda na demanda de produtos e desvalorização do real. Em 2016, o cenário econômico ainda é desafiador.
Em toda a América Latina, os resultados também são negativos. Dentre as principais regiões do mundo, a América Latina é a que mais teve perdas no faturamento do consumo de eletrônicos, com -12% contra -2% na Ásia emergente e -4% em todo o mundo.
De todos os segmentos de eletroeletrônicos, o de telecom foi o único que apresentou faturamento relativamente estável, com crescimento de 1% de janeiro a maio de 2016. Nos demais segmentos, a queda chegou a 24%, como é o caso dos aparelhos de ar condicionado e informática. "É um mercado que tem sido a galinha dos ovos de ouro para o mercado de eletrônicos." Também deve-se considerar, entretanto, que o preço médio dos smartphones cresceu de R$ 603 para R$ 891 quando comparado o período de janeiro a maio de 2015 com o mesmo intervalo de 2016. "Não foi só o dólar, mas a melhoria da tecnologia também", explica Romerscheidt, da Gfk.
Cesta
Mas os smartphones vêm mesmo ganhando espaço no mercado e já ocupam 39,4% da cesta de bens duráveis em detrimento de produtos de informática - que passaram de 10,4% em 2015 para 9,4% em 2016 na participação da cesta - e linha branca, que caiu de 27,1% para 25,5%. "A cada R$ 10 que estamos gastando no varejo, R$ 4 vão para os smartphones", comenta o consultor da Gfk. Além disso, o mercado de smartphones começa já a apresentar sinais de recuperação desde o início deste ano, invertendo a curva de crescimento que vinha caindo desde 2014.
Conectados
Ajuda o mercado de smartphones o comportamento do brasileiro, que é considerado extremamente conectado, afirma Oliver Romerscheidt, da Gfk. Segundo a consultoria, de todos os países pesquisados em estudo, o Brasil é o que mais tem a percepção de que as interações virtuais com pessoas e lugares podem ser tão boas quanto as interações reais. O País também é o mais conectado da América Latina, ou seja, que mais possui produtos per capita conectados à internet.
Os smartphones 4G e com câmeras de maior resolução deverão ser os mais vendidos. A participação dos aparelhos com 4G cresceu de 13,5% para 54,7% de janeiro a maio de 2015 a janeiro a maio de 2016. Nesse mesmo período, a parcela de aparelhos com câmeras de resoluções maiores também cresceu e, hoje, aqueles com 13 MP na câmera traseira e 5 MP na câmera frontal são os que têm maior participação nas vendas.
A repórter viajou a São Paulo a convite da Eletro Show


