Por mais simples que sejam, os celulares atuais vêm com diversos dispositivos que facilitam a vida do usuário. Mas os smartphones (telefones inteligentes) vão além. Com funcionalidades avançadas, eles trazem praticamente tudo que um notebook ou um desktop de mesa oferecem, com a vantagem de poderem ser carregados dentro do bolso.

À medida que as tecnologias se popularizam, os preços baixam e muitos consumidores sentem-se tentados a ter um desses aparelhos. O mercado já anuncia smartphones a partir de R$ 700. Diante de tantas opções, escolher o produto vira um dilema. Nessa briga de mercado, o ponto de partida para a escolha adequada é a definição do perfil do usuário.

''A primeira pergunta é: por qual motivo você quer ter um smartphone?'', diz o engenheiro em telecomunicações Mauro Roberto Rodrigues Borges, professor da Universidade Norte do Paraná (Unopar). A dica, segundo ele, é ver o que cada aparelho oferece dentro das diferentes plataformas (symbian, windows mobile, blackberry, android, entre outras). ''Se você quiser simplesmente 'brincar', o smartphone não é um investimento adequado'', observa.

O smartphone, esclarece o professor, é uma combinação de duas classes: a dos celulares e dos assistentes pessoais digitais (PDAs). A principal vantagem para o usuário é a mobilidade. ''Em qualquer ponto em que você esteja, pode entrar em sintonia com o mundo virtual de duas formas: da tecnologia 3G (com vínculo à alguma operadora) ou das redes Wi-Fi, que geralmente estão disponíveis em locais de concentração massiva como bares, restaurantes, hotéis, shoppings, aeroportos'', explica.

''Uma vez conectado, por meio do smartphone o usuário pode enviar e receber uma série de informações exatamente como faz em cima de um notebook ou de um desktop de mesa'', completa. Borges ressalta, no entanto, que os telefones inteligentes não vieram para substituir esses computadores, mas para dar mobilidade.

Os smartphones são úteis principalmente para uso profissional ou corporativo. ''O profissional que vai viajar pode carregar dentro do telefone, por exemplo, apresentações, planilhas, power point, documentos com extensão word, com a possibilidade de ainda instalar outros aplicativos'', afirma. Borges também cita como exemplo, um profissional que precisa de acesso contínuo à internet, mas tem que se movimentar muito dentro da empresa.

Mas sempre é preciso avaliar a relação custo-benefício. ''Se a pessoa for usar a tecnologia 3G para ficar conectada 24 horas por dia, tem que ver bem quanto isso vai custar'', pondera.

Outro ponto a ser avaliado pelo consumidor, segundo Borges, é se o smartphone será comprado por intermédio de uma operadora ou não. ''Pela operadora, geralmente vem embutido um pacote com fidelização (para entrar na internet utilizando a tecnologia 3G). Comprando o aparelho desbloqueado, o usuário poderá se beneficiar das redes Wi-Fi disponíveis no mercado'', observa.

Fazendo uma comparação com os celulares convencionais de terceira geração, o professor diz que os smartphones se diferenciam nos aplicativos. Para quem pensa em comprar um telefone inteligente, a boa notícia é que, em geral, eles não custam mais caro que os celulares 3G.


‘Não imagino minha vida profissional sem ele’
  O ad­mi­nis­tra­dor de sis­te­mas Pau­lo Ro­ber­to Ma­ria­no tem o há­bi­to de tro­car de ce­lu­lar com me­nos de ­dois ­anos de uso. No fi­nal do ano pas­sa­do, ele com­prou um smart­pho­ne e diz que ho­je não con­se­gue ima­gi­nar sua vi­da pro­fis­sio­nal sem o apa­re­lho.
  ‘‘Ele é um win­dows, en­tão te­nho ali MSN, ­word, ex­cel, po­wer ­point. Pos­so li­gá-lo di­re­to num da­ta-­show, não pre­ci­so nem le­var no­te­book. Com ele, pos­so na­ve­gar nor­mal­men­te na in­ter­net, não ne­ces­si­tan­do de um pro­gra­ma es­pe­cí­fi­co pa­ra o ­celular’’, con­ta Ma­ria­no. ‘‘É um com­pu­ta­dor de mão, de ­dois ou ­três ­anos ­atrás em ter­mos de ca­pa­ci­da­de, só que den­tro do meu bol­so. Não dá pa­ra vi­ver sem ele. To­dos os ­meus con­ta­tos es­tão ­aqui’’, re­su­me.
  Por cau­sa da sua pro­fis­são, Ma­ria­no tem que es­tar sem­pre co­nec­ta­do à in­ter­net. ‘‘Se não é pe­la tec­no­lo­gia 3G é pe­la re­de Wi-Fi. ­Dias ­atrás, por exem­plo, uma má­qui­na deu pro­ble­ma e às ­três ho­ras da ma­nhã o ce­lu­lar me ­avisou’’, con­ta ele, que tra­ba­lha em uma em­pre­sa de te­le­fo­nia.
  As­sim co­mo vá­rios ou­tros smart­pho­nes, o apa­re­lho de Ma­ria­no tem touchs­creen, que dis­pen­sa bo­tões. Tam­bém tem câ­me­ra fo­to­grá­fi­ca e fil­ma­do­ra. Na ho­ra de es­co­lher, o ad­mi­nis­tra­dor de sis­te­mas diz que le­vou em con­ta as ­suas ne­ces­si­da­des pro­fis­sio­nais. ‘‘Pro­cu­ro tec­no­lo­gias que se­rão ­úteis pa­ra mim. Não in­vis­to em smart­pho­nes que fun­cio­nam co­mo ­brinque-do’’, diz Ma­ria­no, que já pes­qui­sa ou­tros apa­re­lhos que de­se­ja ter num fu­tu­ro bem pró­xi­mo. (G.M.)


Aparelhos custam a partir de R$ 700

  Be­ne­di­to de Car­va­lho Nu­nes, ven­de­dor es­pe­cia­li­za­do em ce­lu­la­res da re­de re­gio­nal Mó­veis Bra­sí­lia, afir­ma que os smart­pho­nes co­me­ça­ram a ser ­mais pro­cu­ra­dos no iní­cio des­te ano. ‘‘An­tes da che­ga­da da tec­no­lo­gia 3G na re­gião, não ti­nha mui­to sen­ti­do com­prar um ­smart-phone’’, ob­ser­va.
  Se­gun­do o ven­de­dor, o pú­bli­co que ­mais com­pra es­ses apa­re­lhos é for­ma­do por pro­fis­sio­nais co­mo re­pre­sen­tan­tes de ven­das que ­atuam em di­ver­sas ­áreas. ‘‘­Eles bus­cam co­mo fer­ra­men­ta de tra­ba­lho ­mesmo’’, re­pa­ra. Nu­nes afir­ma que as mar­cas ­mais di­fun­di­das e con­cei­tua­das no mer­ca­do são as ­mais pro­cu­ra­das.
  A re­de em que Nu­nes tra­ba­lha ofe­re­ce qua­tro mar­cas de smart­pho­nes, cu­jos pre­ços vão de
R$ 700 a R$ 1,3 mil (pa­ra apa­re­lhos des­blo­quea­dos). Já os ce­lu­la­res 3G (tam­bém des­blo­quea­dos) cus­tam en­tre R$ 700 e
R$ 2,5 mil. (G.M.)

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