A direção da Skoda, montadora da República Tcheca, anuncia oficialmente na próxima semana a decisão de construir uma fábrica de caminhões em Santa Catarina. O Paraná vai ficar com uma unidade de produção de motores movidos a gás, para ônibus, num investimento estimado em R$ 30 milhões, possivelmente em Paranaguá. O governo do Paraná chegou a confirmar em outubro que a Skoda teria optado pelo Estado para instalar sua fábrica de caminhões, mas isso acabou não acontecendo.
A decisão da Skoda foi transmitida quinta-feira ao presidente da Federação das Indústrias de Santa Catarina (Fiesc), Osvaldo Moreira Douat. A Fiesc ofereceu à indústria tcheca a possibilidade de uma joint venture (associação) com empresas catarinenses para viabilizar a fábrica.
A proposta de constituir uma empresa de participações para funcionar como sócio brasileiro do empreendimento agradou os dirigentes da Skoda, mas até agora não houve uma resposta oficial. Se esse for o caminho escolhido, devem participar indústrias de autopeças, bancos de desenvolvimento e até o governo catarinense, segundo a Fiesc.
A Skoda, que tem entre seus acionistas a alemã Volkswagen, quer produzir no Brasil os caminhões Liaz e Tatra. O início da produção está projetado para 1998. A capacidade inicial de produção será de 5.500 caminhões por ano e a fábrica deve gerar 650 empregos diretos.
Fundada em 1859, a Skoda possui 18 mil empregados nos 70 países em que atua. Este ano, faturou cerca de US$ 2 bilhões. O Mercosul representou apenas 0,5% desse total - com a comercialização de componentes para usinas termelétricas, como as de Jorge Lacerda 3 e 4, em Santa Catarina. O Grupo Skoda atua em vários setores, produzindo caminhões, automóveis, reatores nucleares e até máquinas para a indústria de cigarros.
O presidente da Skoda, Lubomir Soudek, diz que a meta da montadora no Brasil é começar com a produção de 5.500 caminhões por ano, mas em seguida aumentar para 10 mil caminhões por ano. ‘‘Com a instalação dessa fábrica, 25% de nossa produção mundial de caminhões sairá do Brasil’’, prevê Soudek.
A montadora pretende trabalhar com um índice de nacionalização de 70% dos componentes dos caminhões. Na última quinta-feira, a Skoda já publicou um edital em jornais de São Paulo para o cadastramento de fornecedores brasileiros.

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