Uma pesquisa realizada pelo Serasa Consumidor apontou que 73% dos brasileiros acreditam que a situação econômica do País piorou em 2015. O mesmo levantamento também mostrou que o número de inadimplentes em junho deste ano é de 56,4 milhões de pessoas, volume maior que no mesmo mês de 2014 quando eram 54,1 milhões. O valor total das dívidas em atraso é de R$ 243 bilhões.
As principais situações apontadas para a decadência das finanças são a perda de emprego (31,87%) e o aumento da inflação (32,18%), a redução da renda (17,82%), o descontrole nos gastos da casa (12,56%) e despesas com financiamentos ou reformas (5,57%).
Para o economista Márcio Massaro, o crescimento da inadimplência também está muito associado aos reajustes das contas de água e energia elétrica. Já para o superintendente do Serasa Consumidor, Julio Leandro, a recessão, o desemprego, o aumento da inflação e das taxas de juros têm provocado o aumento da inadimplência. "O aumento dos juros faz a dívida crescer mais rapidamente."
Leandro acredita que a inadimplência deve aumentar por mais dois trimestres. E, no final do ano, ele prevê que as pessoas utilizem o 13º salário para colocar as dívidas em ordem.
Para Massaro, o temor do desemprego, até mais que as demissões propriamente ditas, fazem as pessoas acreditarem cada vez mais que a situação econômica do País piorou. A inflação dos preços administrados como água e energia também contribuiu muito para isso, segundo Massaro. "Muitas vezes, a pessoa deixa de pagar o cartão de crédito para não deixar de pagar a luz", disse.
A pesquisa também revelou que 69,62% dos entrevistados disseram não estar com as contas em dia. Para os que deixaram de honrar pagamentos no último mês, 60,36% não arcaram com uma ou duas contas. Outros 22,21% não pagaram três ou quatro contas e 17,43% relataram o acúmulo de cinco ou mais pagamentos em atraso nos últimos 30 dias.
O levantamento também mostrou que as pessoas tentam encontrar alternativas para driblar a falta de recursos financeiros. Mais da metade dos entrevistados (55,34%) opta por cortar gastos ou economizar em algumas despesas. Pedir ajuda para familiares e amigos é a saída para 16,33% dos consumidores. Deixar de pagar o total da despesa do cartão de crédito é a escolha de 13,66% do total e usar o crédito disponível no próprio cartão de crédito é a opção para 7,69%. Apenas 6,99% afirmam que continuam a consumir, deixando de pagar algumas contas.
Segundo Massaro, usar o crédito rotativo do cartão é a pior solução para os devedores. Ele disse que é preferível utilizar o crédito pessoal que o cliente tem pré-aprovado na conta corrente ou mesmo o consignado, que oferecem taxas de juros mais baixas. "Quando o consumidor utiliza o crédito rotativo, a probabilidade de continuar inadimplente é muito grande", completou.
De acordo com o economista, para quem está endividado no cartão de crédito, a saída é renegociar a dívida e trocar por um crédito que tenha juros mais baratos. Ele recomenda que, neste momento atual da economia, as pessoas não assumam dívidas de longo prazo e comprem apenas o que é essencial para o momento.
Outra medida que também vale é a pesquisa de preços no supermercado e substituir produtos por outras marcas mais baratas. "Neste momento, é preciso desapegar de marcas e costumes, além de fazer lista para ir ao supermercado", sugeriu. Outra dica é tentar economizar o que for possível em água e luz.
Leandro destacou ainda que é preciso cortar gastos. "Muitas vezes, o consumidor faz contas de cabeça. Se colocar no papel, vai perceber que esqueceu muitas coisas. É importante colocar tudo na ponta do lápis. É ter disciplina mesmo", recomendou.

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