O racionamento de energia imposto pelo governo federal e questões políticas estão deixando bastante céticos os analistas de mercado quanto à privatização das geradoras. Exceto em relação à Companhia Paranaense de Energia (Copel), que vai a leilão em 31 de outubro.
Três analistas ouvidos pela Agência Estado dizem não acreditar que Furnas, Eletronorte e a Companhia Hidroelétrica do São Francisco (Chesf) sejam vendidas no curto prazo. Para o analista do USB Warburg, Carlos Eduardo Alves, a venda de Furnas ''pode sair no ano que vem, dependendo da situação política''. Marcos Severine, da Sudameris Corretora, afirma que estava bastante animado em relação à venda desta geradora no início de 2001, em razão do modelo de venda estabelecido pelo governo. ''A pulverização das ações tem apelo popular. Mas com o surgimento do racionamento e as eleições no ano que vem, acho que esta é uma questão que ficará para 2003.''
Os analistas destacam que mais complicada ainda é a privatização da Chesf e da Eletronorte, prevendo prazos além de 2002. ''Todas são subsidiárias da Eletrobrás, que atendem a Estados diferentes, o que significa um problema político. Acho que até pode ocorrer a venda de bloco de ações, mas não a do controle'', observa Marcos Brandão, da corretora Fator Doria Atherino.
Sobre a Cesp Paraná, Severine afirma que o governo perdeu uma grande oportunidade de vendê-la em dezembro, em razão do impasse na questão da licença ambiental e do preço mínimo alto. Em maio, o governo fez nova tentativa de privatizar a companhia.
O dólar é uma questão chave para a privatização da Cesp, pois representa um fator de risco para os investidores. Para Severine, a venda não deve sair enquanto a moeda americana estiver neste patamar, a não ser que o governo faça uma revisão no preço. No entanto, isso resultaria em um prazo ainda mais longo para o leilão, já que o governo teria que iniciar um novo processo e rever regras.
Por enquanto, mais certa é a privatização da Copel. ''Acredito que o governo não terá problemas em vendê-la, já que é uma geradora muito atrativa e o nível de endividamento é bem razoável'', observa o analista da Sudameris, acrescentando que esse fator favorece a captação de recursos pelos novos controladores para a realização de investimentos. A dívida da companhia paranaense corresponde a 23% de seu patrimônio. (Leia mais sobre a privatização da Copel na página 3 do primeiro caderno).

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