Situação dos reservatórios pode piorar até novembro
PUBLICAÇÃO
sábado, 02 de junho de 2001
Agência Estado 
A situação dos reservatórios nas usinas hidrelétricas do Sudeste e Centro-Oeste é crítica agora, mas ficará mais grave em novembro, para quando o Operador Nacional do Sistema (ONS) projeta queda do nível da água de 29,7% (hoje) para apenas 10%, mesmo com o racionamento prolongando-se até lá. No Nordeste, o quadro é ainda mais dramático. Atualmente a água só alcança 27,81% da altura dos reservatórios e, em novembro é esperado que caia para apenas 5%.
As projeções constam de dois relatórios reservados a que o Estado teve acesso, elaborados pelo ONS e distribuídos para o ministro das Minas e Energia, diretor-geral da Aneel e dirigentes das empresas que integram o sistema interligado de energia elétrica, em reuniões realizadas em 12 de março e em 19 de abril deste ano.
Em março, o ONS alertou todos para a gravidade do problema e propôs que o racionamento começasse em 1º de maio passado. Apesar disso, só na reunião do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), em 8 de maio último, o governo decidiu recorrer ao regime de cotas.
Em entrevista à Agência Estado, na sexta-feira, o presidente do ONS, Mário Santos, afirmou que essas projeções não foram alteradas e mesmo com a surpreendente adesão da população do Sudeste ao racionamento não dá ainda para falar em atenuar a meta de 20% de economia de energia. Suspender ou reduzir o racionamento até outubro é altamente improvável. Teria de chover muito. Entrar em regime de contingenciamento é difícil, mas sair dele é mais difícil ainda, porque a decisão terá de levar em conta não apenas o suprimento em 2001, mas também em 2002, afirma Mário Santos.
Ele lembra que, em 1987, o Nordeste viveu um racionamento que durou 13 meses. Em novembro começa a estação úmida e, dependendo da intensidade das chuvas se ocorrerem o governo vai avaliar se o regime de cotas deve ou não tomar novo rumo.
Embora reconheça haver riscos em trabalhar com margem de apenas 10% ou 5% de segurança, Mário Santos explica que as empresas proprietárias das usinas garantem não haver impedimento para operar nestes níveis. Nesse sentido, ele descarta previsões catastróficas feitas por alguns especialistas, como Roberto dAraujo, diretor do Ilumina (instituto criado por engenheiros aposentados de Furnas), que afirmou, no Senado, que ocorre desligamento automático do sistema quando a água chega ao nível de apenas 5% ou 10% de altura e expele peixes, lama, detritos. Mário Santos contesta e explica que a sujeira fica acumulada no que chama de volume morto de água, localizado abaixo do nível de 10% de segurança.


