Rio - A partir de dezembro, o Banco Central vai oferecer às instituições financeiras um sistema de consulta em tempo real sobre o volume de créditos tomado em todo o sistema financeiro pelas pessoas física e jurídica e se há inadimplência. ‘‘Isso vai ajudar os bancos a conhecerem o risco de crédito de seus clientes’’, disse à Agência Estado Patrícia Andréa Freitas, diretora do Mercado de Finanças da empresa de engenharia de sistemas DBA, que está desenvolvendo o software para o Banco Central. Ela alegou não saber de nenhum questionamento sobre se isso fere o sigilo bancário.
Segundo Patrícia, o BC está pagando US$ 1 milhão pelo programa, que também trará informações sobre cada instituição financeira com alertas sobre o risco de cada uma, para facilitar a supervisão bancária, substituindo sistema em uso atualmente pelo BC para o mesmo fim.
O novo sistema Central de Risco de Crédito é composto por três bancos de dados - um agrega as informações de pessoas físicas e empresas, outro as operações financeiras e o terceiro grupos econômicos.
Com isso, o BC espera ter informações da origem dos recursos, das taxas de juro praticadas no mercado e das operações realizadas. O projeto foi aprovado pelo Banco Mundial por meio do Programa de Aperfeiçoamento dos Instrumentos Financeiros (Proat).
A idéia de uma Central de Risco de Crédito desse tipo é antiga e ganhou força durante a crise bancária de 1995, quando foi criado o Proer, o Fundo Garantidor de Crédito e iniciou-se uma reformulação da fiscalização do Banco Central baseada em desviar o foco do cumprimento de normas burocráticas para o da saúde financeira do sistema.
De lá para cá, outras mudanças ocorreram na fiscalização e a principal é o novo Sistema de Pagamentos Brasileiro (SPB), cuja operação começa no dia 22.
Segundo a empresa, o chefe do Departamento de Supervisão Indireta do Banco Central, Vânio Aguiar, considera que a implantação dos dois sistemas este ano é compatível mas pode ocorrer um pequeno impacto. Por isso, inicialmente o BC simplificará os procedimentos para o início da operação do novo sistema central de risco de crédito.
Os dados exigidos pelo BC para este sistema já constam nos bancos de dados das Instituições. De acordo com a DBA, o sistema central de risco de crédito deve ajudar o BC a acompanhar de forma mais eficaz os devedores do sistema e, ao mesmo tempo, haverá uma melhora na qualidade das carteiras das instituições. A diretora da DBA destacou que o software utiliza tecnologias de ponta.

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