Sistema Telebrás é vendido por R$ 22 bi
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 29 de julho de 1998
Agência Folha 
O governo brasileiro arrecadou ontem R$ 22,057 bilhões com a venda das 12 empresas nas quais dividiu o Sistema Telebrás para a privatização. O ágio médio alcançado em quatro horas e quatro minutos de leilão foi de 63,74%, muito superior aos 17% esperados pelo governo.
Os grupos estrangeiros, principalmente espanhóis e portugueses, dominaram a disputa. Das 12 empresas, 4 foram arrematadas por consórcios de capital externo. Em outras 6, houve associação entre capital nacional e estrangeiro. Somente 2 telefônicas foram arrematadas por grupos exclusivamente nacionais. A disposição dos investidores surpreendeu o governo e o mercado. Antes do leilão, as estimativas mais otimistas apontavam para um ágio máximo de 100%, que seria dado para a Telesp Celular.
A distância entre o preço mínimo e o lance dado em leilão chegou a 242,40% na Tele Leste Celular, arrematada pelos espanhóis, líderes absolutos da disputa. O ágio ficou acima de 100% em sete das oito empresas de telefonia celular privatizadas. Só a venda da Telesp Celular rendeu ao governo R$ 3,588 bilhões. A empresa ficou com a Portugal Telecom, que pagou ágio de 226,18%.
Sozinhos, os consórcios estrangeiros investiram R$ 8,026 bilhões, pouco mais que o dobro do total pago pelas empresas compradas exclusivamente por grupos nacionais (R$ 3,874 bilhões). Associados, capital externo e nacional investiram mais R$ 10,157 bilhões.
Além do ágio, outra supresa do leilão foi a disputa pela Embratel, cuja venda era vista com pouco otimismo pelo governo. A empresa ficou com a MCI, única norte-americana a adquirir controle de uma das empresas.
O leilão começou às 10h em ponto e ocorreu em clima de tranquilidade, sem nenhuma interferência. O Sistema Telebrás foi vendido em três blocos de quatro leilões cada, com intervalos de uma hora entre eles.
A empresa de telefonia fixa da Telesp alcançou o maior valor e deu o tom de euforia que pautou o restante do leilão de privatização das holdings da Telebrás. O consórcio formado por empresas espanholas, a gaúcha RBS e a Portugal Telecom pagou R$ 5,78 bilhões pela telefônica, com ágio de 64,29% sobre o preço mínimo.
Apenas dois consórcios fizeram ofertas de compra da Telesp, mas esse número baixo de concorrentes não reflete de forma adequada o interesse pela empresa. O lance vencedor foi contra R$ 3,965 bilhões apresentado pelo grupo formado pela holding Globopar e o banco Bradesco mais a Telecom Italia.


